A dor no "meu" joelho! 😉

A dor no "meu" joelho! 😉

Como sabem, a semana passada o "meu" joelho lesionado inflamou e condicionou toda a minha rotina. Vi-me impedida de dar aulas e obriguei-me a uma prática de atenção plena, gelo, descanso, e muita paciência.

Quando estamos doentes ou lesionados a nossa atenção recai sobre a dor. A própria dor, tão cheia de ego,😊 (será a dor?) não nos permite esquecê-la.

Dei por mim num rol de queixumes e também colocando toda a atenção sobre essa dor e sobre mim mesma. Sobre o "meu" joelho!

Quando se tem uma ruptura no menisco, a atenção é plena ao descer uma rua inclinada ou os degraus de umas escadas. Quando é necessário um agachamento o foco está sempre lá, no joelho. Uma verdadeira prática de meditação. 😁 Não se pensa, apenas se observa, se coloca a consciência no local da dor.

A dor faz parte da vida, a todos os níveis, mas é óbvio que ninguém a deseja.

Na Índia, algumas tradições consideram o corpo físico como algo limitado, sujo, produzindo fortes odores e excreções. O corpo é suscetível à dor e à doença, é a origem do sofrimento e desta forma é considerado como uma prisão, uma limitação para a espiritualidade. As kriyās, técnicas de limpeza e purificação, são técnicas que visam precisamente sublimar, purificar o corpo físico, mental e energético.

Porém, existe uma visão mais tântrica que considera o corpo como um templo, como um meio de conduzir o homem à própria espiritualidade. Através dos órgãos dos sentidos e das experiências fornecidas pelo corpo físico, mesmo as menos prazerosas, o divino pode manifestar-se. 

Nesta perspectiva, o corpo é uma manifestação e uma réplica do universo, do micro e do macro-cosmos. É um meio de nos ancorarmos na nossa verdadeira natureza.

A dor e as limitações físicas podem ser observadas como uma forma de viveka, o discernimento para observar as coisas tal como se apresentam. Como uma forma de desapego, vairāgya, que nos liberta da necessidade de estar sempre no controle das situações, ou como um meio de mantermos um esforço firme e constante, abhyāsa, para não esquecer os nossos propósitos e ainda assim os reforçar. A dor pode ser um meio para praticar a auto superação, tapas, entendendo as crenças que nos limitam, dando oportunidade ao tempo e à perseverança para as superar.

A dor tem uma personalidade forte, dominante e não é fácil considerá-la como um caminho para o autoconhecimento. Mas a observação permanente que o yoga e a meditação nos desafia a desenvolver, pode ajudar.

É importante sermos verdadeiros perante a dor. Nem sempre seremos heróis diante dela e isso não nos torna mais fracos ou incapazes, torna-nos humanos.

Mas, enquanto não vestimos a capa de heróis, podemos simplesmente observar. Observar a dor, percebermo-nos na dor, ver para além da dor, simplesmente pousar a atenção na dor.

Pode ser que encontremos um reflexo de nós na dor, ou pode ser que o simples ato de observar transforme lentamente o objeto observado, ou aquele que observa. 

P.s. Tenho consulta marcada para a próxima semana, também é importante! 





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