O Observador, o ato de observar e o objeto observado
O Observador, o ato de observar e o objeto observado
Na ciência ou na física quântica por exemplo, o observador é o sujeito, o agente da observação, o cientista, o eu, o ego, ou mesmo qualquer aparelho de medição quântica. Mediante as suas experiências passadas este observador pode interpretar o objeto observado de diferentes formas.
O ato de observar é a ação, o processo de percepção do que é observado, depoente dos sentidos e muitas vezes esta ação altera, modifica o objeto observado.
O objeto observado é o alvo de estudo e de observação, este pode ser um objeto (matéria), um fenómeno ou uma ideia.
Esta relação entre o observador e o objeto observado é muito importante no método cientifico, mas é uma relação complexa que também gera debates teológicos e filosóficos.
Será que o observador influencia o objeto observado? Será que o observador está separado do objeto observado? Será que o observador se pode observar a si mesmo?
Estas são questões muito importantes e complexas.
Imaginemos que estamos a observar uma partícula subatômica como um electrão. Neste caso o ato de observação/ medição pode alterar o seu estado do electrão. Por exemplo, se queremos saber a sua velocidade, alteramos o seu estado no processo de medição. Neste ato de observar alguns aspectos podem escapa-nos, por exemplo, é impossível saber exatamente a posição e a velocidade de um electrão no mesmo momento temporal.
No yoga e meditação também existe um observador, o ato de observar e o objeto observado, mesmo que o objeto observado seja a própria mente, a observação de si.
Para o yoga o observador é purusha, o ser na sua mais pura essência, a testemunha.
O ato de observar é a atenção plena, a consciência. Esta atenção plena desenvolve-se através da disciplina empreendida na prática de técnicas de Pratyāhāra, a abstração dos sentidos e Dhāraṇā, a concentração num só ponto e também Dhyāna, a meditação, que se trata da suavização das ondas mentais, do fluxo dos pensamentos.
A meditação é algo que surge espontaneamente após os outros dois estágios e é algo que não é possível ensinar, mas apenas experimentar.
O objeto observado, para o yoga pode ser a respiração, as sensações corporais, um som, um mantra, a chama de uma vela, os pensamentos, as emoções, etc.
Para o yoga, o objeto observado é mutável, mas o observador permanece, e para que esta observação possa acontecer é necessário criar algum distanciamento entre o observador e o objeto observado, uma não identificação ou desapego, vairagya.
O yoga busca o autoconhecimento através da investigação, do aprofundamento desta relação entre o observador, o ato de observar e o objeto observado.
O yoga busca transcender as identificações com a mente, com as ideias, e com o objeto observado. Se observamos a mente, apercebemo-nos que não somos a mente.
Mas, em estágios mais avançados da prática de yoga, chega-se a uma espécie de absorção meditativa, o Samādhi, onde se realiza a contemplação de Puruṣa, o ser e neste estado não existe dualidade ou distinção entre o observador, o ato de observar e o objeto observado. Neste estágio, apenas percebemos, apenas contemplamos.
Neste estado não existe identificação com os vṛttis, os conteúdos, instabilidades da mente. é um estado de não dualidade. O observador é uma construção da mente,
Noutras palavras, no ato de meditar, o meditador pode começar por concentrar a sua atenção nos objetos externos, na respiração, nos conteúdos da mente, mas aquilo que observamos não é aquilo que somos.
Se observamos não somos o que observamos. No entanto, a consciência permanece observando, percebendo e num estado de total absorção deixa de existir objeto observado e o ato de observação pois somos apenas consciência.
Na prática da observação, cria-se um distanciamento do "eu" que se identifica com estes processos da mente. Somos livres da identificação com a mente. Este é o objetivo do yoga, Mokṣa, liberdade. A divisão é dissolvida e reconhecemos que esta divisão é ilusória.
Leia o artigo do Professor Pedro Kupfer: O que é Mokṣa?
https://www.yoga.pro.br/o-que-e-moksa/
Assista ao vídeo- O observador é o observado
https://www.youtube.com/watch?v=grEMeEMJUBA
Esta informação foi inspirada nos ensinamentos dos Professor Pedro Kupfer, João Paulo Dias e em pesquisas pessoais.
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