O yoga não é religião. Yoga é uma prática para todos
O yoga não é religião. Yoga é uma prática para todos
A religião é um sistema de crenças, de práticas, rituais e valores que conecta o homem a elementos sagrados, divinos ou espirituais. Baseia-se na fé, ou na adoração de uma ou várias divindades (consoante a religião), e rege-se por códigos morais, oferecendo respostas para o sentido da existência.
O yoga é uma forma de ver e estar na vida que tem como fim o autoconhecimento, mas não é dogmático, não impõe uma fé e não pretende que o praticante adira a qualquer crença. Embora tenha raízes no hinduísmo, budismo e Jainismo, o yoga é uma prática independente que pode, ou não, coexistir com as várias religiões existentes no mundo.
Yoga e religião são práticas espirituais, pois promovem a conexão com o divino, seja esse divino nomeado de Deus, ou de "Eu maior" , de Īśvara, a inteligência universal.
Há aspectos comuns entre a religião e o yoga e há aspetos que parecem tocar-se, mas o yoga não pretende ser uma religião. O yoga é uma prática de autoconhecimento. E, como prática de autoconhecimento pode ser praticada por todos - Cristãos, adeptos do Islamismo, Judaísmo, hinduísmo de pode igualmente ser praticada por ateus ou agnósticos.
O yoga é uma prática para todos. Todos o que pretendam mergulhar na aventura do autoconhecimento e que respeitem o código de ética que está na base dos ensinamentos do yoga, os yamas e Niyamas.
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São várias as definições de yoga, mas nenhuma delas consegue ir ao âmago do que o yoga representa na sua totalidade.
É difícil exprimir por palavras algo tão profundo. É como querer definir o Amor, a verdade, a vida, a beleza. Muitos professores e praticantes de yoga, quando confrontados com esta pergunta, optam por responder de forma inversa, referindo aquilo que o yoga não é.
Em sânscrito a grafia é a seguinte: योग. A palavra Yoga vem do sânscrito “Yuj”, que significa unir ou integrar.
Esta união refere-se à união corpo/ mente numa busca pelo equilíbrio, ou, indo um pouco mais além, é a união entre o ser e a sua própria essência, a união com o divino.
Então, porque o yoga pode ser confundido com uma religião?
- Pelo facto do yoga ter as suas raízes no contexto espiritual e religioso hindu. O yoga é mencionado pela primeira vez nos Vedas, textos sagrados hindus que remontam há mais de 5.000 anos e esta prática foi muito influenciada pelo hinduísmo. O Budismo e o Jainismo são religiões que também incorporam bastantes conceitos e práticas do yoga, tal como a meditação. No entanto o yoga não é uma religião, mas muitas vezes, no mundo ocidental, a religião e a espiritualidade são entendidas como inseparáveis. Na verdade ser espiritual não significa seguir qualquer religião. Este é um conceito bem mais amplo.
- Pelo fato de, no yoga, tal como na maioria das religiões, surgirem reflexões e questionamentos. No yoga é proposta uma observação interna, uma reflexão sobre questões essenciais da vida, como: Quem sou eu? Qual o propósito da vida? O que é consciência, a ignorância ou a libertação, mokṣa? Este facto, pode, de forma errada, levar algumas pessoas a considerar o yoga como uma forma de religião ou doutrina. Afinal, a religião também reflete sobre os mesmas temas. O yoga não pretende substituir ou tomar o lugar de nenhuma religião, não pretende doutrinar nem convencer ninguém e nem ser uma solução imediata ou uma cura para a insatisfação espiritual do homem. Apesar disto, o yoga propõe reflexões profundas e é uma prática que promove o autoconhecimento e por essa razão, muitas vezes, acaba por fornecer o equilíbrio espiritual que tantos procuram e pode preencher alguma sensação de vazio, tal como qualquer religião.
- A história do yoga está relacionada à história da civilização Hindu. Pelo facto de, no hinduísmo, se prestar culto a diversas divindades como Śiva, Brahma, Viṣṇu, etc, pode conduzir à ideia errada, de que ao praticar yoga poderemos estar a adorar esses mesmos deuses. No yoga, não se adoram deuses, ou melhor, cada um é livre de o fazer ou não. O yoga refere o divino e um Cristão pode ver no conceito de divino a imagem de Jesus Cristo. Um Budista, pode reverenciar Buda e para um Ateu, o divino pode representar o mistério da vida, da natureza ou da criação.
- O facto do yoga usar os mantras nas suas práticas e estes serem confundido com orações. No hinduísmo há mantras dedicados a divindades e o yoga ocidental apoderou-se de alguns deles. Os mantras originais do yoga, são diferentes dos mantras do hinduísmo. São geralmente mantras da paz, ou de devoção à natureza, ou ainda mantras dedicados ao ensinamento e à relação mestre/ discípulo. Mas, por exemplo, quando são vocalizados mantras a Gaṇesha num Kīrtaṇ, normalmente o que se pretende, é resgatar a força da simbologia que essa divindade representa. Assim como o sol representa a luz, e a luz representa a sabedoria e o fim da ignorância. Gaṇesha , por exemplo, representa a remoção de obstáculos. Estes obstáculos são os obstáculos para o nosso crescimento interior. Ao vocalizar um mantra a Gaṇesha, não se prenda à ideia de que está a adorar um deus do hinduísmo e a pedir-lhe que afaste da sua vida aquele chefe que lhe faz a vida num inferno😉. Veja mais além, busque a força da simbologia. Perceba que está a invocar, a recordar a força que existe em si e que lhe permite ultrapassar os seus obstáculos interiores. Perceba que está a reforçar a sua intenção de conhecer esses mesmos obstáculos e o desejo de ultrapassá-los. Sabe qual é o significado de mantra? man significa mente e tra instrumento. Mantras são instrumentos para disciplinar e focar a mente, esse é o objetivo principal do mantra. Mas também auxiliam no controle respiratório e podem ter o propósito de nos relembrar algo importante. Veja o exemplo mais abaixo *** Mas, claro, sendo o yoga uma prática livre, claro que há praticantes que podem escolher a religião hindu, cada um é livre de aplicar a sua crença e fé à prática de yoga.
- O facto de, no yoga serem usadas mudrās (gestos) que podem ser semelhantes aos gestos usados noutras tradições e religiões também pode confundir o publico em geral. Por exemplo, quando vamos à missa, na igreja católica, e unimos as mãos em oração, estamos na verdade a fazer um gesto que simboliza a fé, a devoção e oração. Ao realizar um gesto semelhante na prática de yoga, o Añjali mudrā, unindo a palma da mão esquerda à palma da mão direita em frente ao coração, pode-se gerar confusão. Na verdade, no yoga, tal como nas artes marciais, este gesto é uma saudação e simbolicamente o praticante está a invocar sentimentos de humildade e respeito. Este gesto também simboliza devoção. Para o hinduísmo, devoção ao vários Deuses, para o yoga esta devoção não está relacionada com nenhuma divindade, mas antes com o próprio divino, com a força da natureza, com a imensidão do universo, com a força criadora, com a nossa própria essência. Essa reverência pode e deve começar por ser uma reverência para comigo mesmo/a, como ser divino que sou.
- O facto de o yoga ter um um código de ética como base , os yamas e niyamas, um conjunto de prescrições e proscrições que podem, em parte, assemelhar-se aos mandamentos do cristianismo ou às diversas condutas religiosas. Alguns deles são: "A não violência", "a verdade", "a disciplina sobre mim mesmo", "a não desvirtualização da sexualidade", etc, Contudo, embora ambos (religião e yoga) possuam em comum alguns destes valores, no yoga eles são considerados apenas parte do caminho para o autoconhecimento e para a união com o divino. Não há um Deus a adorar, existe sim, o divino a ser reconhecido. Reveja aqui o código de ética do yoga:
https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2024/04/yamas-e-niyamas-o-codigo-de-etica-do.htm
Resumindo:
O yoga é uma prática de autoconhecimento, que não é religião, mas onde todas as religiões e crenças são bem vindas.
O yoga é uma prática que pode ser vivenciada por qualquer ser humano com liberdade e verdade.
Existem tantas práticas de yoga quantos praticantes, pois cada ser é único.
O yoga é para todos. Todos os que querem comprometer-se com a grande aventura do autoconhecimento.
*** oṁ saha nāvavatu | saha nau bhunaktu |
saha vīryaṁ karavāvahai | tejasvi nāvadhītamastu |
mā vidviśāvahai || oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ ||
tradução:
Oṁ. Que Ele, (o Ilimitado), nos proteja.
Que Ele esteja feliz conosco.
Que trabalhemos juntos com vigor.
Que o conhecimento nos ilumine.
Que nunca confundamos o que
somos com o que fazemos (quem somos na realidade e os papeis que desempenhamos)
Oṁ. Que haja paz, paz. paz. ( Tradução de Professor Pedro Kupfer)
Este mantra, recorda-nos a impotência da conexão com o divino e com o conhecimento que ilumina a mente. Recorda-nos também que somos mais do que um corpo e somos seres espirituais e não devemos identificar-nos, confundirmo-nos com os papeis que desempenhamos na sociedade.
Esta informação foi inspirada nos ensinamentos dos Professor Pedro Kupfer, João Paulo Dias, e pesquisas pessoais
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