A procrastinação na prática de yoga: Compreender, refletir e transformar

 A procrastinação na prática de yoga: Compreender, refletir e transformar

Falta aos seus compromissos com regularidade? Desmarca recorrentemente aquela prática de yoga? Falta ao treino de força no ginásio, adia vezes sem conta aquela corrida que há tanto tempo prometeu a si mesmo iniciar? Adia constantemente a resolução de iniciar uma dieta mais saudável? De dormir Cedo? De cuidar de si?

Então este texto é para si. 

Todos nós procrastinamos um pouco, mas quando procrastinar se torna a nossa forma de vida devemos olhar para esse aspecto interno com algum cuidado.

Faltar ocasionalmente a um treino no ginásio ou a uma prática de yoga é natural e expectável. Ocasionalmente pode surgir um verdadeiro compromisso de última hora que me impede de estar presente, ou posso sentir-me doente, ter passado a noite em claro, etc. Mas, quando as faltas se tornam um hábito, quando as desculpas para mim mesmo começam a ser o meu estilo de vida ou quando nada faço para vencer estas minhas tendências internas, talvez esteja na hora de olhar para essas tendências, olhar para este padrão com honestidade e curiosidade.

A prática de yoga, exige alguma superação interna. Esta prática estende-se para vida e quantas vezes na vida é necessário Tapas, o esforço sobre mim mesmo?

A palavra Tapas deriva de Tap em sânscrito, e significa literalmente "Tornar-se ardente" , porque é necessário o nosso fogo interno, a luz, o calor, a intenção mais fervorosa para praticar tapas, ou seja, para me superar.

E quando lhe falta esse fogo? Que fazer?

A procrastinação raramente é preguiça pura, muitas vezes está ligada a aspectos da personalidade e padrões internos, como:

  • Perfeccionismo. A ideia de que "Se não for perfeito" não vale a pena começar. Ou ainda, " faltei, ganhei peso e tenho de perder antes de regressar"
  • Muitas vezes a falta de disciplina pode ser o reflexo de uma vida cheia de pressão e exigências internas, fisicas e emocionais. A resistência ao desconforto, físico e emocional, pode ser um aspecto a observar. Talvez já esteja a exigir muito de mim noutro aspecto da minha vida para o qual ainda não olhei com cuidado e honestidade, como uma relação ou um trabalho.
  • Dispersão e excesso de estímulos, muitas vezes estamos imersos nos hábitos modernos, nos estímulos e ritmo de vida alucinante que dificultam a concentração e organização das prioridades.
  • Falta de autoestima. Colocar sempre outras tarefas e pessoas à frente do próprio bem estar, pode ser um sinal de falta de amor próprio, de inseguranças.
  • Medo. O yoga propõe um olhar interno atento, é uma prática de autoconhecimento. É natural que possam surgir alguns desconfortos com esta observação de mim mesmo/a.
Um convite à auto observação:

A prática de Yoga começa antes de chegar ao tapete. 
Pergunta a ti próprio:

  • O que me impede, realmente, de ir à prática?
  • Que histórias conto a mim mesmo para justificar as minhas ausências?
  • Como reajo quando surge desconforto físico ou emocional? Já os senti na prática de yoga?
  • Dou a mesma importância ao meu bem-estar que dou às minhas obrigações externas?
Estas perguntas não devem surgir como uma forma de julgamento, mas com curiosidade e como um meio para conhecer e me superar e conquistar um estado de maior consciência. Sem consciência, não há transformação. 

As consequências da falta de compromisso

A irregularidade na prática de yoga impede, como é obvio, a evolução. 

Em primeiro lugar, se falto com regularidade, reforço um padrão: 

O de não cumprir promessas feitas a mim mesmo. Com o tempo, isso fragiliza a confiança interna e o meu amor próprio. 

Se falto às práticas não adquiro força, flexibilidade, equilíbrio. Não me dou a possibilidade de aliviar o stress e reprogramar as minhas emoções. Não invisto no meu bem estar nem na minha saúde. Sim, não invisto.  Porque o investimento não termina na hora em que o aluno paga a mensalidade. 

Estratégias para combater a procrastinação

Felizmente, a disciplina pode ser cultivada e trabalhada. De seguida deixo algumas sugestões:

  • Em primeiro lugar admita para si mesmo/a o seu padrão de comportamento e pensamento. Admita que cria impedimentos e desculpas, que prorcastina.
  • Crie uma rotina: defina dias e horários fixos para a prática, como se fosse um compromisso inadiável. Escreva-os. Crie um calendário semanal e mensal.
  • Começar com menos e gradualmente progrida. Se não se consegue comprometer com uma prática três vezes por semana, inicie com duas ou mesmo uma e cumpra. O importante é a continuidade.
  • Reduza a exigência consigo mesmo/a: Não é necessário uma prática “perfeita”; basta estar presente.
  • Elimine obstáculos e impedimentos de última hora com antecedência: Prepare o material com antecedência. Deixe uma muda de roupa no carro para um dia de transito caótico ou um dia em que possa sair mais tarde do trabalho. Leve um snack leve na sua mala para não ter a desculpa de que faltou porque não teve tempo de almoçar. Deite-se cedo no dia anterior à sua prática matinal. Avise a família que tem todo o gosto em cuidar dos netos, mas não nos dias e horário do seu yoga. Avise o chefe que não abdica da sua prática e que só em ultimo recurso e por algo deveras urgente poderá faltar ao yoga. Deixe bem clara essa intenção e informe-os desse horário. Coloque um despertador para ter tempo de se preparar com calma antes de sair para a prática, etc.
  • Assuma a responsabilidade da sua presença: compromete-te com o professor ou com o seu grupo de colegas.
  • Relembre o seu propósito: Escreve o seu propósito e deixe-o num local que possa ver todos os dias. Porque iniciei e desejo manter a minha prática de Yoga?
  • Aceite o desconforto: crescer implica sair da zona de conforto; Seja corajoso/a, permita-se essa possibilidade. Nada vale mais nesta vida que o investimento no autoconhecimento.
  • Encare a disciplina como ato de cuidado próprio. Manter uma prática regular não deve ser encarado como uma forma de castigo, mas como uma forma de respeito por si próprio. A disciplina, no Yoga, não é rigidez — é consistência com intenção. Cada vez que opta por comparecer, mesmo sem vontade, está a fortalecer algo essencial: a capacidade de se manter fiel ao que realmente importa, a si mesmo/a.
Está disposto a assumir este compromisso?

Leia mais sobre Tapas, o esforço sobre si mesmo, carregue no link seguinte:

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2026/04/tapas-o-esforco-sobre-si-mesmo.html

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