svāra yoga

svāra yoga

A "ciência" do prāna, o svāra yoga é uma antiga prática da tradição tântrica e yogi da Índia que estuda a relação entre a respiração, os ciclos de energia do corpo e a consciência. 

A palavra svāra significa "som", "nota", "fluxo" ou, neste contexto, "fluxo da respiração", o "Som da respiração".

Segundo este modelo tântrico do corpo humano, existe um canal central chamado suṣumṇā nāḍī, que representa simbolicamente a transcendência dos opostos e a consciência. 

Este canal  é circundado pelas nāḍīs īdā e piṅgalā. 

Estas duas nāḍīs iniciam-se na base da coluna e terminam na narina esquerda e direita respectivamente. Nos locais onde se cruzam surgem os sete principais chakras. 

Este é um mapa simbólico que representa o nosso caminho na senda do yoga e no desenvolvimento da consciência.

Nesta tradição:

  • A narina esquerda nāḍī īdā está associada à energia lunar:
    • Calma
    • Introspecção
    • Criatividade
    • Meditação
    • Relaxamento
    • Expiração
    • Sistema nervoso parassimpático (nas concepções da atualidade)
    • À lua, à noite, ao frio, ao lado feminino e à polaridade negativa.
  • A narina direita, nāḍīs piṅgalā, está associada à energia solar:
    • Ação
    • Força
    • Lógica
    • Atividade 
    • Inspiração
    • Sistema nervoso simpático ( Nas concepções da atualidade)
    • Ao sol, dia, calor, lado masculino e à polaridade positiva.
  • Princípios básicos

    As ideias defendidas partem da observação de que, durante a maior parte do dia, uma narina tende a ficar mais aberta, mais ativa, do que a outra. Esta alternância acontece naturalmente a cada 60/90 minutos (embora varie entre indivíduos e mediante o dia e atividade realizada, ou outros fatores).

    Quando ambas as narinas fluem de forma equilibrada, considera-se que a energia pode circular pelo canal central, suṣumṇā nāḍī, surgindo um estado especialmente favorável para a concentração, meditação e práticas contemplativas.

    Existe evidência científica?

    Em primeiro lugar, (e muito embora eu seja uma pessoa bastante racional 😉), nem tudo é explicado pela ciência. No entanto, há estudos que mostram que:
    • O chamado ciclo nasal (a alternância natural entre as narinas) é um fenômeno fisiológico bem documentado;
    • Algumas técnicas respiratórias podem influenciar o sistema nervoso autónomo, a frequência cardíaca e sensação de relaxamento ou energia do corpo e mente.
    Contudo, não há estudos que relacionem de forma direta a narina direita ao sistema nervoso simpático e a esquerda ao sistema nervoso parassimpático. Por vezes, a observação dos resultados é que pode sugerir esta relação. 

    Na tradição do  Yoga:

    "o universo inteiro é uma manifestação do prāna, que é a fonte criativa original. No plano cósmico, existem dois aspectos básicos do prāna. O primeiro é o aspecto não manifestado, chamado Purusha, ou Pura Consciência. O segundo é o aspecto da manifestação criativa, chamada Prakṛti, que é a própria força da natureza." (Professor Pedro Kupfer)

    O prāna pode ser considerado muitas vezes, como um sinónimo da respiração, mas esta definição é muito limitadora. O prāna é muito mais que o ar que respiramos, é a energia da mente e mais profundamente, da própria consciência. É qualquer forma de energia que se manifeste no corpo físico, mental, emocional e energético. O Prāna é a força vital, a bio energia.

    Esta energia é também absorvida através do ar, da respiração, e flui por uma rede de canais sutis e energéticos, as nāḍīs. 

    As nāḍīs são então os canais subtis por onde flui o prāna.

    A tradição menciona 72.000 nāḍīs no corpo subtil. Este número é simbólico, pois cada pessoa é única e possui um número diferente de veias, artérias e capilares, e o mesmo acontece com as nāḍīs. 

    Estes canais não são visíveis, ou seja, se formos em busca de tais canais no corpo humano, não encontraremos nada. Eles pertencem ao corpo sutil e representam o caminho percorrido pela energia vital. Tal como a eletricidade não pode ser observada, apenas a sua manifestação é perceptível, assim acontece com as nāḍīs e com o Prāna.

    Mas, à medida que nos tornamos mais conscientes, podemos sentir esta energia e perceber como se move e a sua manifestação subtil. Isto pode eventualmente explicar, os possíveis diferentes efeitos sentidos quando se troca a narina com que se respira.

    Das milhares de nāḍīs existentes, as três principais são īḍā, piṅgalā e sushumnā. Estas três nāḍīs originam-se no chakra da raiz ou Mūlādhāra chakra, que se situa na base da coluna. Como já foi referido anteriormente:

    • A nāḍī piṅgalā é a nāḍī solar, inicia-se no mūlādhāra chakra e sobe ao longo da coluna vertebral até chegar à narina direita. Transporta o prāna de polaridade positiva. Símbolo do sol, do calor e da atividade, está relacionada com a força ascendente e com o lado masculino, com a força física e psíquica e com os processos de absorção do corpo físico e energético. Coordena o lado direito do corpo mas ativa o lado esquerdo do cérebro responsável pela lógica e pelo pensamento analítico. A respiração pela nāḍī solar produz calor, atividade, ação e energia e ativa o pensamento lógico.
    • A nāḍī īḍā, é a nāḍī lunar, inicia-se no mūlādhāra chakra e sobe ao longo da coluna vertebral até chegar à narina esquerda. Transporta o prāna de polaridade negativa, apāna. Tem como função controlar todos os processos de eliminação ou excreção no corpo humano, tanto ao nível físico como ao nível mental e energético. Simbolizando a lua, está mais ligada a atividades introspectivas e criativas, ao lado feminino. Coordena o lado esquerdo do corpo, mas ativa o lado direito do cérebro. A respiração pela nāḍī lunar é refrescante e calmante, induz ao recolhimento dos sentidos e desenvolve a intuição e a criatividade.

    Logo:

    • Quando a nossa narina esquerda está dominante, ou quando tapamos a narina direita, ou seja, quando o ar flui melhor por esta narina, em princípio, o lado direito do cérebro (que corresponde às atividades de introspecção, criatividade e intuição) está mais ativo. 
    • Quando, pelo contrário, temos a nossa narina direita dominante, ou quando tapamos a narina esquerda, significa que o lado esquerdo do cérebro, está mais ativo. A lógica e o pensamento racional sobrepõem-se.

    īḍā e piṅgalā representam a dualidade da existência. Essa dualidade é tradicionalmente personificada na cultura hindu por Śiva e Śakti, o principio masculino e o feminino. É com base nesta dualidade que a vida é criada.

    No entanto, sushumnā, a nāḍī que se situa no centro da coluna, não tem atributos, polaridade, ou qualidades, é como um espaço vazio. Representa a transcendência e a pura consciência.

    Uma vez que o prāna entra em sushumnā, a energia flui de forma retilínea, conduzindo ao despertar da kuṇḍalinī, a supraconsciência.

    A kuṇḍalinī, é descrita simbolicamente como uma serpente de fogo, que permanece adormecida e enroscada na base da coluna vertebral, no chakra da raiz ou mūlādhāra chakra, e simboliza esse despertar da consciência. 

    É interessante perceber que o canal central (sushumnā), que representa o caminho de despertar da consciência (kuṇḍalinī) é um canal sem atributos, sem polaridades. Ou seja, num estado de pura consciência não há opostos, não há homem e mulher, dia ou noite, quente ou frio, só há energia manifestada.

    Recordando que o objetivo o yoga é conduzir o praticante ao autoconhecimento e que o autoconhecimento conduz a mokṣa, liberdade. A liberdade resulta da não identificação com o corpo, com o ego, com a individualidade. 

    Dito isto tudo se parece encaixar. Biologicamente somos todos diferentes, mas energeticamente seremos? 

    Boas práticas, com consciência! 

    Esta informação foi inspirada nos ensinamentos do Professor Pedro Kupfer, Professores João Paulo Dias, Ricardo Gil e pesquisas pessoais.💙








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