Amṛta

Amṛta

Esta semana, falando de cinema com duas queridas alunas, foi mencionado o Avatar, o caminha da água, mais especificamente, uma cena em que os humanos conseguem capturar uma criatura marinha, um Tulkun, muito semelhante às nossas baleias, seres dotados de uma extrema sensibilidade e inteligência. Entrando na enorme boca deste ser marinho, os humanos retiram com uma seringa, através da garganta da Tulkun, um líquido proveniente de uma glândula que se situa no cérebro do animal. Esse líquido é chamado de Amrita e é muito valioso uma vez que impede o envelhecimento.

Esta cena foi certamente inspirada na filosofia hindu, numa obra que se intitula de Amṛtabindu Upanishad , uma das Upanishads. escrituras sagradas dos vedas que tratam de temas como a meditação, o yoga, a consciência, a libertação, etc

Segundo estas escrituras, o yogin, ao realizar o Jihvabandha, a compressão da língua contra o céu da boca, mais propriamente contra o palato mole, a região macia que se situa junto à úvula, alcança um ponto, o Triveni, que é o ponto de confluência das três principais nāḍīs, īḍā, piṅgalā e suṣumṇā. *

Esta compressão é geralmente feita em simultâneo com o bhrūmādhyadṛiṣṭi, a fixação do olhar no ponto entre as sobrancelhas e acaba por estimular, de forma indireta a glândula pineal, glândula que se situa no epitálamo, no centro do cérebro, e é responsável pela produção de melatonina e que regula os ciclos de sono e o ciclos circadianos.** 

Ao ser estimulado  o Triveni, são experimentadas sensações nas papilas gustativas. Segundo o Professor Pedro Kupfer podem surgir “... gostos alcalinos, amargos e lácteos até o gosto do elixir lunar”.

O Amṛta é produzido no Soma chakra, chakra que se situa entre o ájña chakra e o Sahasrāra chakra.

"Neste local reside Kāmadhenu a Vaca Cósmica.  representação da generosidade infindável da mãe natureza. Na alquimia tântrica, Kāmadhenu, no somacakra, emite diariamente um pingo do néctar da imortalidade, amṛtam.

Esse amṛtam é consumido no maṇipura cakra, o cakra do elemento fogo, produzindo em seu devido tempo, o envelhecimento e a morte. O propósito das práticas de prāṇāyāma e mudrā, no Haṭha Yoga, é evitar a dispersão do amṛtam. É por isso que se fazem as práticas de viparītakaraṇī mudrā e outras inversões do corpo físico: para evitar que amṛtam seja queimado no fogo da digestão. O soma Chakra é vulgarmente conhecido de "terceiro olho". Pedro kupfer

Soma significa " néctar lunar", mas também é chamado de Amṛta, o néctar da imortalidade.

Ao executar o Jihvabandha, o amrita, fica contido e não derrama para os chakras inferiores. 

Segundo as escrituras, se Amṛta descer para os chakras inferiores, acaba por ser destruído ou consumido no fogo do maṇipura chakra, O chakra que se situa  junto ao umbigo e que está associado ao elemento fogo. Isto vai levar ao envelhecimento e consequentemente à morte.

Através das técnicas do yoga como prāṇāyāma, exercícios respiratórios; bandhas, compressões de glândulas, plexos e nervos e mudrās, gestos realizados mentalmente, com as  mãos, pés, boca, olhos ou com o corpo todo, evita-se a dispersão do do Amṛta. 

O Amṛta, néctar da imortalidade representa simbolicamente a consciência de que não somos o corpo, que somos consciência superior e imutável. Desta forma estamos livres do ciclo de nascimentos e mortes, do ciclo de experiências, saṃsāra.

* O Triveni, é como já foi dito, o ponto de interseção entre as três principais nāḍīs,  īḍā, piṅgalā e suṣumṇā.

Nāḍīs, são os canais por onde flui o Prāṇa, a bioenergia, ou energia vital, que assimilamos no ar que respiramos, nos alimentos que ingerimos, nas experiências sensoriais que temos, etc

īḍā, é o canal lunar, feminino, de polaridade negativa que inicia no Mūlādhāra chakra, o primeiro de todos os chakras que se situa junto à base da coluna, no plexo do sacro e ascende até à narina esquerda. Este canal controla o hemisfério direito do cérebro, relacionado com o sistema parassimpático e com características como a criatividade e intuição, a introspeção e meditação.

 piṅgalā é o canal solar, masculino, de polaridade positiva  que inicia no Mūlādhāra chakra, o primeiro de todos os chakras que se situa junto à base da coluna, no plexo do sacro e ascende até à narina direita. Este canal controla o hemisfério esquerdo do cérebro relacionado com o sistema simpático e com características como o pensamento lógico e racional, com a vitalidade

īḍā e piṅgalā representam a dualidade, Śiva e śakti, o masculino e o feminino, o aspeto lógico ou racional e o intuitivo, o  quente e o frio, o dia e a noite. Estas duas nāḍīs serpenteiam-se ao longo e em torno da coluna vertebral e os locais onde se cruzam, representam os locais  onde se situamos chakras principais: Mūlādhāra, Svādhisthāna, Maṇipura, Anāhata, Viśuddha, ājña e Sahasrāra.

suṣumṇā é o canal central  e principal por onde flui o prāṇa, que corresponde à coluna vertebral e está relacionado com o sistema nervoso central, este canal está associado também com a ideia do despertar da consciência universal, a iluminação, representada simbolicamente pela kuṇḍalinī, a serpente de fogo, energia ígnea. 

Este canal não está associado a polaridades, não tem dualidade, segue o alinhamento de  merudaṇḍa montanha considerada o eixo do mundo na mitologia hindu. A energia ascende em Suṣumṇā através do canal central, quando as nāḍīs īḍā e piṅgalā estão equilibradas

**Os ciclos circadianos ou ritmos circadianos são os mecanismos através do qual o nosso organismo se regula ao logo do dia e da noite, corresponde à variação das funções biológicas nos seres vivos ao longo de 24 horas. O ciclo circadiano vão variar ao longo do dia e estão relacionados com a luz, a temperatura, ventos, marés e influenciam a energia vital, a fome, o sono, a digestão o controle da temperatura, etc

Recorde o Jihvabandha, a compressão da língua contra o palato mole, carregue no link seguinte:

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2021/10/jihva-bandha.html

Reveja mais informação sobre os chakras, carregue no link seguinte:

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2022/03/os-chakras.html

Os termos chakra*s e nāḍī*s não têm plural, neste texto estão escritos com S para facilitar a  compreensão. Tal como a palavra chakra escrita com CH, no entanto, a forma correta é cakra. 

Esta informação foi inspirada nos ensinamentos do Professor Pedro Kupfer, João Paulo Dias, do Professor Ricardo Gil, Mestre DeRose e pesquisas pessoais. 







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