Svādhyāya, o autoestudo

 Svādhyāya, o autoestudo 

Svādhyāya é o estudo sobre as escrituras e sobre si próprio. É um dos cinco Niyamas, as cinco prescrições do código de ética do yoga, sistematizado por Patañjali, um místico da antiga Índia, codificador do Yoga Clássico.

Svādhyāya, é um termo em sânscrito que deriva de svā que significa “ próprio”, ou ” eu”, “ a alma humana” e dhyāya que significa “ meditar sobre”. Logo, Svādhyāya denota contemplação, meditação sobre si mesmo, ou ainda auto estudo e introspecção.

Pode também significar o estudo dos vedas, das antigas escrituras, os textos sagrados hindus, uma vez que, este estudo, acaba por revelar a natureza humana. O conhecimento do eu vem da integração de todas as ferramentas disponíveis.

No dia a dia, alinhar o estudo das escrituras com a observação profunda sobre os comportamentos, pensamentos e emoções proporciona o equilíbrio perfeito para trilhar o caminho do yoga.

E durante a prática de yoga, como aplicar Svādhyāya?

Durante o Sādhana diário, esta observação deverá também manter-se constante. Por exemplo, a atenção sobre a dor e o desconforto ao realizar um āsana pode revelar muito mais do que simplesmente a condição física do praticante. Essa observação pode expor uma tensão emocional, um pensamento enraizado, um condicionamento, etc. Essas subtilezas, quando observadas, poderão proporcionar a libertação de tensões emocionais ou padrões de pensamento. 

O auto estudo, quando saímos da nossa zona de conforto, ou quando em prática somos confrontados com situações desafiadoras, pode ser um mecanismo poderoso de identificação dos desejos que estão por detrás dos nossos pensamentos e que lhes dão força, os vasanas e também das nossas tendências subconscientes, os samskaras. Estas tendências são muitas vezes inatas ou hereditárias e condicionam-nos.

Que sensações são despertadas quando realizamos um determinado Prāṇāyāma? Que emoção desencadeia um mantra? Como nos sentimos se não conseguimos manter o equilíbrio nas posturas? Ou quando finalmente conseguimos ir mais longe numa técnica? Qual o sentimento que se revela ao tomar consciência da nossa falta de consciência?
Somos impacientes? Apressados? Intolerantes? Sentimos tédio? Orgulho ou vaidade, mesmo que subtilmente? 
A prática da entrega ao momento presente, com consciência, é uma excelente forma de praticar Svādhyāya.

Mas, colocar Svādhyāya na prática diária, implica inevitavelmente trazer essa mesma consciência para fora do tapete de yoga, para a vida. A vida deverá ser como um reflexo da prática e a prática como um reflexo da própria vida.

Por vezes, conseguimos permanecer em permanente auto estudo durante o Sādhana mas esquecemos imediatamente essa observação logo após a prática de yoga!
É Fácil ser um "ser de luz" durante a meditação ou a vocalização de um mantra😁!!! Mas, como sou eu quando estou parado no transito? Quando o meu chefe me humilha ou o meu filho faz uma birra colossal? Como sou eu quando me encontro só? Ou quando estou com amigos ou desconhecidos? Quando erro? Quando conquisto? Quando observo a vida e a morte?

Este questionamento não pretende ser uma critica. Se no transito perco a paciência e grito com o condutor do carro da frente, não devo martirizar-me, mas sim compreender, que acima de tudo fui verdadeiro, e que essa verdade me revela. 

A auto observação pode auxiliar-nos na percepção de que ainda somos como fantoches, como escravos das influencias exteriores. Dia após dia, um passo de cada vez, com a observação interior, vamo-nos gradualmente libertando desses condicionamentos.

Svādhyāya é muito mais que esta compreensão racional de nós mesmos, é o conhecimento de quem somos por detrás da compreensão da mente.

Svādhyāya pede-nos que não nos esquivemos de mergulhar bem fundo dentro de nós, de levar a nossa busca a níveis nunca antes explorados.

"Svādhyāya é o autoestudo, a auto investigação.
É a busca persistente pela verdade.
É a reflexão sobre os ensinamentos dos śāstras
É o olhar interno.
Essa busca incessante acontece aqui e agora.

Quem sou eu?"

Leia mais sobre os Yamas e Niyamas, o código de ética do yoga, carregue nos links seguinte:

https://bhava-e-yoga.blogspot.com/2021/10/yamas-e-niyamas-o-codigo-de-etica-do.html

https://bhava-e-yoga.blogspot.com/2023/02/yamas-e-niyamaas.html

Leia um artigo do Professor Pedro Kupfer "Svādhyāya, a Busca do Ser", carregue no link seguinte:

https://www.yoga.pro.br/svadhyaya-a-busca-do-ser-professor-hermogenes/

 Os termos Yama e Niyama não têm plural, mas para que sejam melhor entendidas usa-se o S no final.

Esta informação foi inspirada nos ensinamentos dos Professores Pedro Kupfer, João Paulo Dias e pesquisas pessoais. 💙

Boas práticas, com consciência! 💙

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