Características da respiração no yoga ( prāṇāyāma)

 Características da respiração no yoga ( prāṇāyāma)

O termo prāṇa  tem origem nas raízes pra, intenso e na, movimento e é geralmente definido como energia vital, bio energia ou alento. 

Ayāma traduz-se em expansão. 

Logo prāṇāyāma é a técnica do yoga que visa a expansão e absorção do prāṇa, a energia vital. 

Esta técnica tem muitos e variados objetivos, auxilia no controle da atividade da mente, provoca estados alterados de consciência*, ajuda a atingir estados meditativos, sereniza ou revitaliza o corpo e a mente, purifica o corpo, auxilia na prática de vários desportos, aumenta a capacidade e a consciência corporal, entre outros. 

Quais são as características da respiração no yoga?

  • Deve ser uma respiração profunda :

Ou seja, deve ser utilizada toda a capacidade pulmonar mas sem causar tensão ou esforço. Isto significa que todos os músculos que participam ativamente na respiração devem ser incluídos em cada inspiração e expiração, tornando a respiração extensa, “ espaçosa”.

  • A respiração deve ser completa:

Isto significa que devemos fazer uma respiração abdominal, intercostal e subclavicular, ou seja, devemos inspirar trazendo o ar primeiro para a parte baixa dos pulmões, enchendo toda a zona abdominal. Continue a inspirar enchendo a zona intercostal, a parte média dos pulmões, sentindo a expansão das costelas e por fim, encha a zona superior ou sub clavicular. 

Ao expirar faça-o no sentido inverso, exalando o ar da parte alta, depois média e por fim baixa, contraindo ligeiramente o seu abdomen.

Desta forma usou a totalidade da sua capacidade pulmonar e todas as fases da respiração.

Para saber mais sobre esta respiração carregue no link seguinte:

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2022/09/raja-pranayama-ou-pranakriya-respiracao.html

  • A respiração deve ser consciente:

Mantenha a mente presente, consciente durante o prāṇāyāma, observando todo o caminho do ar, quer na inspiração, quer na expiração.

Observe também os efeitos da respiração nos pensamentos, nas emoções. Traga a sua atenção plena para o ato de respirar.

  • A respiração deve ser lenta:

Sem que a nossa interferência no ato de respirar nos cause ansiedade, deveremos tornar a respiração lenta, subtil.

Ao tornar a respiração lenta, o corpo também aquieta e a mente vai gradualmente ficar mais calma, surgindo menos pensamentos, menos flutuações mentais.

Inicialmente pode ser um desafio manter a respiração lenta, mas com o tempo e a prática vamos conquistando esta capacidade de forma natural. 

Observe que, quanto mais calma e serena está a mente, mais suave e lenta fica a respiração.

  • A respiração deve ser nasal:

De uma forma geral, os exercícios de respiração do yoga devem ser feitos pelo nariz. 

A respiração nasal é a mais indicada, uma vez que respirando pelo nariz o ar sofre uma filtragem, devido à presença dos pêlos nasais. O ar também aquece ao entrar pelas narinas ficando com uma temperatura mais próxima da temperatura interna do corpo. A respiração nasal é também mais lenta e controlada que a respiração pela boca.

Por outro lado, os prāṇāyāmas também têm como objetivo aquietar a mente, ao inspirar pelo nariz, por exemplo, expirando pela boca, a mente acaba por dispersar mais. Há menor esforço na respiração nasal e esse facto aquieta mais a mente. No entanto, se houver congestão nasal, ansiedade, rinites, etc a respiração pode ser adaptada temporariamente. 

Existem alguns prāṇāyāmas do yoga em que a indicação é a oposta, que se respire pela boca, esses prāṇāyāmas têm objetivos específicos, nomeadamente o arrefecimento corporal, combater a fome e sede, trabalhar aspetos internos, etc.

  • A respiração deve ser silenciosa:

Salvo algumas excepções em que se faz propositadamente uma respiração ruidosa, como no bhastrikā (a respiração de fole) e o ujjayī  realizado de uma forma audível (a respiração do vitorioso ou oceênica), a respiração deverá ser silenciosa, imperceptível a quem esteja de fora. Ao tornar-se silenciosa, a respiração torna-se mais subtil e a mente acompanha esta subtileza.

  • A respiração deve ter a mínima projeção de ar possível:

Isto significa dizer que a respiração se tornou tão lenta e subtil que o ar projetado é mínimo. Para que possa ter consciência da projeção do ar ao respirar, aproxime-se de um espelho, cerca de um palmo, inspire e expire tentando não embaciar o espelho. Esta respiração também é sinónimo de subtileza, quietude e mais uma vez, quanto mais subtil e serena for a respiração, mais tranquila estará a mente.

Se sentir ansiedade ao executar a respiração com a menor projeção possível, dê tempo ao tempo, adapte a respiração. O yoga é acima de tudo uma prática pessoal.

  • A respiração deve ser controlada:

Isto denota que devemos adaptar a respiração ao nosso ritmo. Caso um exercício cause ansiedade, aceleração do ritmo cardíaco, adapte o exercício. Não se sinta frustrado. A forma correta de se respirar demora a ser assimilada. 

Inspire e expire de forma uniforme, sem perder o fôlego e sem bloquear a respiração no meio do processo, a não ser que haja indicação específica para isso.

A respiração deve ter um ritmo cadenciado e uniforme.

Existem prāṇāyāmas onde são colocados ritmos e retenções, esses têm objetivos específicos. No caso de não haver sugestão por parte do seu professor para impor ritmo e fazer retenções, mantenha a respiração fluida. 

* Um estado alterado de consciência (EAC) é uma alteração temporária na forma como o cérebro organiza e experiencia a percepção, a atenção, o sentido de identidade, o tempo, o corpo e o ambiente.

 Não significa necessariamente “perder a consciência” nem implica algo de místico ou sobrenatural.

Do ponto de vista científico, a consciência não é um estado único e fixo. Ela pode variar em várias dimensões — por exemplo, durante o sono, sonhos, meditação profunda, hipnose ou certas experiências de absorção intensa.

Dependendo do estado, podem ocorrer alterações em relação:

À atenção (redução da atenção ao ambiente externo e aumento da atenção interna); à percepção do tempo (os minutos podem parecer muito longos ou muito curtos); ao sentido de identidade (pode haver uma sensação temporária de não identificação com o “eu” ou de distância dos próprios pensamentos, uma sensação de leveza, expansão, imobilidade ou alterações na localização do corpo;

O sono é, naturalmente, uma alteração do estado de consciência.

Carregue no link seguinte para ler: " Respire bem pelo seu bem":

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2025/01/respire-bem-pelo-seu-bem.html

Boas práticas com consciência!💜

Esta informação foi inspirada nos ensinamentos do Professor Pedro Kupfer, João Paulo Dias e pesquisas pessoais. 🙏



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mensagem de fim de ano

Receita do bolinho Nem Nem

Receita de bolinhas de amêndoa e tâmara