Pergunta de um aluno

 Pergunta de um aluno 


Na passada semana, durante uma prática de yoga, surgiu o tema da mitologia Hindu, ao explicar a postura anantāsana.

A palavra ananta significa “o que não tem anta”, nenhum fim, ou seja, o que é infinito. É também a serpente de mil cabeças, também chamada de Ādiśeṣa (a serpente primordial) que serve de leito a Viṣṇu, no yoganidrā. Viṣṇu é o Deus que representa a preservação do universo.

Ananta é considerada o rei de todas as Nagas, todas as serpentes, é uma serpente de mil cabeças que representa o infinito e a união do mundo material com o mundo divino.

Como leito de Viṣṇu, representa também o repouso, o equilíbrio cósmico, ou seja a preservação do universo.

Segundo os textos hindus, Brahma, o primeiro Deus da Trimurti hindu, Deus que representa a criação do universo, surgiu de uma flor de lótus que nasceu do umbigo de Viṣṇu, enquanto este dormia, na posição acima representada, nas águas dos oceanos primordiais, sobre a serpente de mil cabeças. Os oceanos primordiais representam o caos e esse nascimento simboliza a manifestação da ordem sobre o caos. Ao sair da flor de lotus, Brahma começa o processo de criação do universo, do tempo e do espaço.

Ao explicar esta postura, referi que as serpentes, no hinduísmo não têm a conotação negativa que tem no ocidente. Elas são consideradas símbolo de poder, proteção e são consideradas guardiãs de tesouros, são também vistas como símbolo do inconsciente e do caminho do autoconhecimento. Associadas à força kuṇḍalinī representam a energia vital e a jornada do despertar da consciência.

Após esta pequena explicação, surgiu a pergunta: Porque as vacas são também tão adoradas no hinduísmo? 

Uma querida aluno fez uma pesquisa e enviou para o grupo. 

Aqui vai, a informação recolhida pela nossa querida Fernanda com a ajuda do famoso chat gpt (com alguma correção e informação acrescentada):

A adoração às vacas na Índia, está profundamente enraizada com valores religiosos, práticos, culturais e históricos, especialmente no hinduísmo, a religião predominante no país.

 Aqui estão os principais motivos:

1. Importância religiosa no hinduísmo

A vaca é considerada um animal sagrado no hinduísmo. Ela é associada à deusa mãe e à mãe Terra, pois fornece leite, um alimento essencial. 

A vaca representa ahimsa (não violência, um valor central do hinduísmo e do yoga), porque é símbolo de gentileza e generosidade, cuidado e nutrição. Por esta razão, proteger as vacas é importante para o povo Indiano e em diversas regiões da Índia, matar uma vaca é considerado um ato impuro ou até crime legal.

A vaca está também relacionada ao deus Kṛṣṇa; que é o oitavo avatar de Viṣṇu, que na sua infância e adolescência foi pastor de vacas e se encontra, frequentemente, representado entre elas. O nome de Kṛṣṇa enquanto pastor é Govinda ou Gopala (aquele que protege as vacas). Simbolicamente Kṛṣṇa é o pastor divino, que cuida e protege os seus devotos.

2. No yoga

Numa obra que se intitula de Amṛtabindu Upanishad, uma das Upanishads (escrituras sagradas dos vedas que tratam de temas como a meditação, o yoga, a consciência, a libertação, etc), o yogin, ao realizar o Jihvabandha, a compressão da língua contra o céu da boca, mais propriamente contra o palato mole, a região macia que se situa junto à úvula, alcança um ponto, o Triveni, que é o ponto de confluência das três principais nāḍīs, īḍā, piṅgalā e suṣumṇā.

Esta compressão é geralmente feita em simultâneo com o bhrūmādhyadṛiṣṭi, a fixação do olhar no ponto entre as sobrancelhas e acaba por estimular, de forma indireta a glândula pineal, glândula que se situa no epitálamo, no centro do cérebro, e é responsável pela produção de melatonina e que regula os ciclos de sono e o ciclos circadianos.

Ao ser estimulado  o Triveni, são experimentadas sensações nas papilas gustativas “... gostos alcalinos, amargos e lácteos até o gosto do elixir lunar” ( Professor Pedro Kupfer)

O Amṛta é produzido no Soma chakra, chakra que se situa entre o ájña chakra e o Sahasrāra chakra.

Neste local reside Kāmadhenu a Vaca Cósmica. Representação da generosidade infindável da mãe natureza.

Na alquimia tântrica, Kāmadhenu, no soma cakra, emite diariamente um pingo do néctar da imortalidade, amṛtam.~

Esse amṛtam é consumido no maṇipura cakra, o cakra do elemento fogo, produzindo em seu devido tempo, o envelhecimento e a morte. O propósito das práticas de prāṇāyāma e mudrā, no Haṭha Yoga, é evitar a dispersão do amṛtam. É por isso que se fazem as práticas de viparītakaraṇī mudrā e outras inversões do corpo físico: para evitar que amṛtam seja queimado no fogo da digestão. O soma Chakra é vulgarmente conhecido de "terceiro olho". Pedro kupfer Soma significa "néctar lunar", mas também é chamado de Amṛta, o néctar da imortalidade.

Leia mais aqui:

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2023/03/amrta.html

3. Valor simbólico e prático

A vaca é símbolo de pureza, generosidade e sustento.

Produtos derivados (leite, manteiga ghee, coalhada, urina e esterco) são usados em rituais religiosos e como fertilizante e combustível nas áreas rurais. São também usados em cerimônias e oferendas de adoração, pūjās.

4. Tradição milenar

Escrituras antigos, como os Vedas, já exaltavam a vaca como "Kāmadhenu", também conhecida como Surabhī, ou gaumata, é a vaca sagrada na mitologia hindu, frequentemente referida como a mãe de todas as vacas. É a vaca que concede os desejos, símbolo de abundância e fonte de toda a prosperidade e fertilidade.

5. Influência na sociedade e nas leis

Em muitos estados indianos, há leis que proíbem o abate de vacas.

Algumas comunidades também consideram a proteção das vacas como uma obrigação moral e cultural. A vaca é conhecida como aghnyā, a que não deve ser morta. 

Muito embora a vaca seja considerada sagrada para a maioria, nem todos os indianos veneram as vacas.

Surgiu também outra pergunta na aula. afinal como nasceu Brahma?

Para além da versão já aqui relatada, de que Brahma surgiu de uma flor de lótus que nasceu do umbigo de Viṣṇu, enquanto este dormia, nas águas dos oceanos primordiais, sobre a serpente de mil cabeças, eu não conhecia outra versão e fui pesquisar.

Numa outra versão, Brahma nasceu de si mesmo, sendo a primeira entidade a surgir no universo primário. 

Esta auto origem representa o poder inerente do criador, que não depende de nenhuma outra entidade para existir.

Esta informação foi inspirada nos ensinamentos dos meus Professores Pedro Kupfer, João Paulo Dias e em  pesquisas pessoais💙


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