Neste Natal - mensagem de Natal

Neste Natal

No Natal experimentamos uma panóplia de emoções e pensamentos. Se por um lado sentimos que esta é uma época de paz, de amor e verdadeira confraternização e doação, por outro somos confrontados com o consumismo desenfreado, com o excesso de materialismo e de alimentos, de barulho, de pressa. Sentimos a dor dos familiares que já não estão presentes e a dor de saber que há pobreza no mundo e que nem todos tem uma mesa farta.

Todos estes sentimentos são compreensíveis, mas é importante perceber que não fazem parte da nossa verdadeira natureza.

O Natal acontece... 

As solicitações e tradições associadas ao Natal são as mesmas para todos nós. Sentir o Natal de uma forma mágica e serena ou triste e melancólica, depende do olhar de cada um. Aquilo que nos faz ver, seja de que forma for, com alegria ou com dor, são os nossos condicionamentos, é a nossa história, a nossa identificação com o ego e com o que é externo.

O propósito desta reflexão não é levar alguém a sentir o Natal de forma mais bonita ou feliz, embora isso seja definitivamente mais agradável do que olhar para esta quadra com dor. O propósito é refletir sobre a nossa verdadeira natureza, que está naturalmente livre da identificação com estas experiencias. 

 A mente é naturalmente pacifica. Então porque não estamos sempre em paz?

A mente fica iludida pelos seus humores, pelas suas histórias de prazer e dor, de alegria e tristeza, a mente perde-se, sem rumo, levada por estas ilusões.

A identificação da mente com as suas histórias é que nos faz viver momentos de felicidade ou de tristeza. Se a mente não se perdesse nesses pensamentos ele ficaria no seu estado natural, um estado de quietude e plenitude.

Como aumentar a nossa sabedoria para entender a natureza dos pensamentos sem ser refém deles?

A meditação é o caminho...com tempo ela mostra-nos que a paz é o nosso verdadeiro lar.

Ao conhecer-me a mim mesmo e à minha mente eu entendo os fenómenos da mente, as armadilhas em que naturalmente caio.

Quando há prazer quero manter essa experiencia.

Quando estou triste ou desanimado/a quero fugir desta experiencia.

Dessa forma estamos cativos.

Ser distante, frio ou insensível não é o objetivo, mas sim, saber discernir o verdadeiro do falso e  transcender a mente. Transcender a mente que não está estabelecida no dharma. Olhar para os fenómenos que nos tocam a pele sem deixar que eles nos arranquem a pele.

Experimentamos estados tão diferentes, mas estes estados  são passageiros, são só fenómenos. O importante é olhar para aquilo que permanece, aquilo que observa estes estados, a alegria, a dor, a tristeza ou o prazer.

Pense naturalmente num momento feliz...

Pense num outro momento de dor...

Perceba que há sempre um EU que sente prazer ou dor. Eu sofro, eu sinto, eu choro, eu estou entusiasmado/a...há sempre um EU. há sempre uma identificação com este ego.

A nossa natureza original não vacila entre estes dois fenómenos, é plena é o lar!

Descubra quem observa...

Neste Natal, seja o lar!

Medite!!! 🙏





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