Equanimidade não é indiferença
Equanimidade não é indiferença
Equanimidade vem do latim, eaquanimitas, -atis, que significa benevolência, igualdade de ânimo.
Significa um estado de serenidade mental; um juízo ou comportamento imparcial.
Em sânscrito, equanimidade é samatva e é sem dúvida um dos grandes alicerces do yoga.
Como praticar a equanimidade no yoga e na vida?
Buscando e aperfeiçoando uma conduta, uma postura de equilíbrio perante os desafios que possam surgir. Este é o caminho do meio para o yogi.
Antes de ler sobre o tema deste post: " Equanimidade não é indiferença", leia sobre equanimidade, carregue no link seguinte:
https://bhava-e-yoga.blogspot.com/2023/09/equanimidade-no-yoga-e-na-vida.html
Veja também um pequeno vídeo da autoria do Professor Pedro Kupfer:
https://www.youtube.com/watch?v=Ye85N_5Z-oA&t=91s
Equanimidade não é indiferença, não é frieza, menosprezo ou desinteresse, apesar destas serem algumas das definições que surgem no dicionário para a palavra equanimidade.
O yogi não deve olhar para as injustiças e para o sofrimento alheio com insensibilidade ou negligencia. Nada fazer perante as injustiças, ficar alheio e passivo não é a atitude que se espera de um yogin. Pelo contrário, este deve agir de forma não violenta, de forma harmoniosa equilibrada, através de atitudes simples e humildes.
O yogin deve ser alguém que luta para que a dor, as injustiças sociais sejam minimizadas, mas esta luta deve ser consciente e não violenta.
O yogin deve ser alguém que age, que pratica karma yoga, mas nessa ação deve estar presente a compaixão e o Amor, o respeito pelo dharma, o bem comum.
Então, o que significa dizer que o yogin deve manter a equanimidade perante as alegrias, as tristezas, a injustiça e a dor?
Significa que sempre que ocorre uma situação dolorosa ou de injustiça social consigamos agir de forma equilibrada para amenizar o problema, achando uma estratégia para lidar com a situação de forma a não ferir o dharma.
Significa também que sempre que ocorre algo na nossa vida que nos dá alegria, consigamos ser gratos mas não escravos e dependentes daquilo que gerou alegria.
Por exemplo:
- Se presencio alguma atitude discriminatória ou violenta numa escola, intervenho de forma ponderada, tentando proteger e minimizar o sofrimento da vitima. Se a minha intervenção não surtir qualquer efeito, trato de comunicar à direção da escola, aos responsáveis ou à policia. Isto não é uma atitude considerada violenta, mas sim responsável.
- Se ganho um prémio na lotaria fico grato pelas possibilidades que a vida me ofereceu, mas não deixo que esse facto controle a minha vida, altere os meus valores ou me torne dependente emocionalmente. Ou seja, se amanhã eu perder esse mesmo valor e nada puder fazer, não me vou martirizar por isso. Isto não é apatia mas consciência e inteligência.
- Se o meu relacionamento termina, porque o meu companheiro ou companheira assim o desejam vou respeitar a decisão e a liberdade do ser humano que partilhou comigo uma história. Com amor e respeito e sem sentimento de posse, olho o ser que sou na minha essência, reconheço no outro essa mesma essência. Esta não é uma atitude fria mas de verdadeiro respeito e amor.
Deixo uma tradução do Professor Pedro Kupfer, da Bhagavadgītā, sobre a equanimidade:
"Aquele que, inalterável no prazer e na dor, vive (em consciência do) Ser, contemplando com a mesma equanimidade o barro, a pedra e o ouro, mostrando-se o mesmo no prazer e desprazer, no elogio e no impropério, firme, neutro na glória e na ignomínia, assim como em face do amigo e do inimigo, alheio (à identificação com os resultados de) todo tipo de ação, esse homem superou os guṇas”. Bhagavadgītā, XIV:22-25.
Boas práticas, com consciência! 💙
Esta informação foi inspirada nos ensinamentos do professor Pedro Kupfer e pesquisas pessoais.🙏
Comentários
Enviar um comentário