Anāhata chakra, o chakra do plexo cardíaco
Anāhata chakra, o chakra do plexo cardíaco
Em sânscrito a grafia é: अनाहत
Este nome deriva do som do coração, que não é produzido pelo contacto ou colisão entre dois materiais, ou dois corpos. É um som interno, um som inteiro e puro, que surge nas meditações profundas segundo os antigos yogis.
O Anāhata nada (som do coração) é também conhecido como ruído branco.
Este é o quarto dos sete principais chakra*s situados ao longo da coluna vertebral. Coincide com o plexo cardíaco e com a coluna torácica. Trata-se de um chakra central que equilibra o prāṇa, a energia vital, e a distribui para todos os outros chakra*s.
Este chakra é representado por uma flor de lótus de doze pétalas, de cor roxo intenso ou vermelho escuro, que correspondem a letras do alfabeto sânscrito e onde estão inscritos os Bīja mantra:
kaṁ, khaṁ, gaṁ, ghaṁ, ṅaṁ, caṁ, chaṁ, jaṁ, jhaṁ, ñaṁ, ṭaṁ, ṭhaṁ
Estas pétalas também simbolizam, em algumas tradições, os doze vrittis, variações mentais, sobre as quais se propõe uma meditação, ou as qualidades divinas do coração.
A forma geométrica que o representa é um hexagrama, formado por dois triângulos. Estes triângulos desenham um símbolo, um yantra, de seis pontas, que está associado ao elemento ar, vāyu. No centro está grafado o bījamantra Yaṁ.
Tem também representadas duas setas, uma a apontar para baixo e outra para cima, que representam as energias ascendentes e descendentes e o equilíbrio entre elas. Pode também retratar o equilíbrio entre Purusha (o Ser Supremo) e Prakriti (Natureza e manifestação de Purusha). O masculino e o feminino, energias opostas.
Na parte inferior está representado um antílope almiscarado, que exprime a leveza do elemento ar, o movimento e a liberdade. Também representa a beleza, a generosidade, a receptividade, a pureza e inocência, qualidade associadas ao coração. Este antílope produz, numa glândula o almíscar. O símbolo representa a nossa busca incansável pelo amor, felicidade e liberdade no exterior, quando poderíamos encontrá-las no nosso interior. Por vezes também surge representado um elefante.
Tal como no primeiro chakra, o Mūlādhāra, aqui também se encontra representado um lingam, que indica a presença de um granthi (Viṣṇu Granthi (विष्णुग्रन्थि) um nó, na suṣumṇā nāḍī, o canal principal por onde flui o prāṇa que se localiza no centro da coluna vertebral. Este granthi representa, simbolicamente o ponto onde a consciência fica "presa" a determinados padrões de identificação, dificultando a ascensão da energia associada à consciência (Kuṇḍalinī). Na realidade representa os nossos bloqueios emocionais, relacionados com os sentimentos e os apegos emocionais.
O Viṣṇu Granthi representa também a passagem do amor pessoal e condicionado para o amor universal e incondicional. Por esta razão é consideram um ponto de transformação fundamental no caminho da consciência. Ele representa o momento em que ele o yogi aprende a amar sem possuir e a servir sem esperar recompensas.
A divindade que aqui surge reproduzida é Rudra Śiva, de pele azul brilhante, veste pele de tigre, que segundo o professor Pedro Kupfer, é o “símbolo da vitória do yogi sobre a mente e os sentidos. As serpentes, enroscadas ao redor dos braços e tronco, representam o domínio sobre as latências subconscientes.”
Śiva segura um tridente e um tambor, que marca o ritmo do universo. O rio sagrado Ganges flui do seu cabelo livremente. Representa a transformação das emoções em sabedoria, a dissolução do ego (ahaṅkāra),a coragem para atravessar o Viṣṇu Granthi, o fogo interior da devoção (bhakti), a união entre força e compaixão.
Ao seu lado encontra-se Shakti é Kākiṇī, sentada sobre um lótus rosa e representa a energia da devoção e do amor. Ela segura nas suas quatro mãos uma espada, um escudo, uma caveira e um tridente, simbolizando o equilíbrio das três forças de preservação, criação e destruição. Representa a Kuṇḍalinī que surge agora representada por uma deusa (e não por uma serpente como é habitual). Sentada na postura de lótus, dentro de um triângulo que aponta para cima, mostrando o caminho.
Enquanto Rudra representa consciência da transformação presente no anāhata chakra, Kākiṇī, representa a energia viva dessa transformação.
- Localização: Relacionado com o plexo cardíaco, à altura do coração, na coluna vertebral relaciona-se com a 4ª vértebra torácica.
- Cor: Cor do elemento ar, transparente ou nas tradições antigas o lótus é vermelho escarlate. Nos modelos mais modernos pode ser representado na cor verde, a cor do arco-íris que se encontra no centro do espectro, tal como este chakra é central.
- Prāna associado: ar vital - prāṇa ( associado à absorção de energia no corpo físico e subtil)
- Função principal: Sistema imunitário, Amor e verdade.
- Glândula associada: Associado à glândula timo (glândula responsável pela imunidade)
- Bīja mantra: Yaṁ.
Ouça o Bīja mantra Yaṁ, carregue no link seguinte:
https://www.youtube.com/watch?v=yP3H_MZ5M2w
- Órgão dos sentidos: Tacto, pele, as mãos. “as mãos falam a língua do coração” e através deste sentido se sente, tal como sente o coração. O elemento ar, tal como o tacto representam, sensibilidade, permeabilidade (a capacidade de atravessar as fronteiras) e contacto direto.
- Ação muscular: Respiração consciente no centro do peito, respiração média ou torácica.
- Vṛttis desejáveis: Bom sistema imunitário, Amor profundo e incondicional, autoestima, união com o todo, cura emocional, solidariedade, religiosidade, alegria, compreensão, compaixão, generosidade, nobreza, leveza e Verdade, autenticidade.
- Vṛttis indesejáveis: Passividade, angústia, sentimentos de separação e solidão, falta de motivação, falta de empatia, ressentimentos, frieza emocional, dependência de aprovação dos outros, baixa imunidade, sensação de corpo pesado, problemas de coração, etc
- Para desenvolver os Vṛttis desejáveis: Meditar sobre as instabilidades da mente. praticar Yoga e meditação, passear na natureza e junto a espaços verdes e flores; Praticar prāṇāyāmas (exercícios respiratórios). Não reprimir as emoções, auto perdão, afirmações positivas relacionadas ao amor, rir, praticar a empatia, abraçar, e tudo o que o fizer sentir feliz sem ferir os outros.
- Nota musical: Fá.
- Dia da semana: Quinta feira
- Divindade associada: Rudra Śiva,
- Posturas de yoga (āsana):Virabhadrāsana; chakrāsana; danurāsana, urdhva hastāsana; ustrāsana e todas as posturas em que se favorece a abertura do peito e que por esta razão nos levam a focar a atenção ou meditar sobre esta zona.
- Outras técnicas de yoga para estimular o Anāhata chakra: Respiração consciente no centro do peito, respiração torácica ; prāṇāyāmas vários; padma mudrā; técnicas de meditação com o foco no coração; pujā, vocalização de mantras devocionais, etc
Curiosidades:
- O Professor Pedro Kupfer refere: “Sentimentos como o amor estimulam positivamente o timo, aumentando a capacidade imunológica. Não é à toa que os chimpanzés batem instintivamente no peito como forma de manifestar alegria: estão massageando o timo.”
- Imediatamente abaixo de Anāhata (no plexo solar, do lado esquerdo do corpo) está um chakra menor conhecido como Hrit , o "coração". Este chakra tem oito pétalas. Está dividido em três partes: A primeira representa um sol vermelho, a segunda uma lua branca, dentro da qual se encontra o fogo vermelho escuro. Dentro deste último círculo existe uma árvore vermelha que simboliza a realização de desejos. (ver imagem mais abaixo).
- O timo é uma glândula linfática situada na parte anterior e superior da cavidade torácica, próximo ao coração. Tem um papel importante no bom funcionamento do sistema imunitário do corpo. Durante o crescimento do feto e na infância, está envolvido na produção e maturação dos linfócitos T, um tipo de glóbulos brancos do sangue que se desenvolvem no timo e migram para os gânglios linfáticos do corpo. Eles ajudam o sistema imunitário a proteger o organismo contra vírus, fungos, bactérias, etc. O timo diminui de tamanho ao longo da vida e gradualmente vai sendo substituído por tecido adiposo, o que provoca a diminuição da produção de linfócitos T.
- Expressões curiosas: “ Coração partido” para exprimir um desgosto de amor, uma tristeza profunda; “Ele/ Ela não tem coração” para exprimir a frieza ; “Coração grande” para simbolizar a bondade; “ Coração aberto” para representar a predisposição para acolher e estar receptivo aos outros; “ Fazer das tripas coração” exprimindo um esforço, uma vez que é o coração que bombeia o sangue para todo o corpo, etc
Bījamantra- É um som “semente”, também chamado matrikā, som " mãe". Associado aos diferentes aspectos da manifestação de Īśvara, Deus criador, e aos sete principais chakra*s. São sons dos quais nascem todos os outros mantras e não tem tradução. Através da sua vibração produzem efeitos poderosos no corpo físico e energético.
Prāṇa- "significa literalmente ‘força que se move para frente’. Regula todos os processos de absorção: o movimento inspiratório, a assimilação de alimentos sólidos e líquidos e a recepção das impressões sensoriais. É centrípeto por natureza e tem como finalidade colocar as coisas em movimento. Localiza-se na parte superior do tórax, entre a garganta e o umbigo". ( Prof, Pedro Kupfer)
vṛttis, São as instabilidades da mente, da atividade psíquica, que se formam de acordo com as tendências subconscientes dos indivíduos, vāsanās e dão origem aos pensamentos e desejos. É a força que origina os pensamentos e desejos
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