Sahasrāra Chakra
Sahasrāra Chakra, o lótus de mil pétalas
Sahasrāra Chakra, o lótus de mil pétalas
O chakra coronário, é também chamado lótus das mil pétalas. Estas pétalas encontram-se dispostas em 20 camadas cada uma com 50 pétalas. Sahasrāra significa milhares.
É uma das imagens mais profundas do simbolismo tântrico. O Sahasrāra, tal como é descrito em textos como o Ṣaṭcakranirūpaṇa, reúne vários símbolos que apontam ou simbolizam estados de consciência muito subtis.
O seu pericarpo é dourado e dentro dele está representado um circulo que representa a lua. No seu interior existe um triângulo luminoso, que pode apontar para cima ou para baixo.
A lua representa:
- A consciência pura;
- O néctar da imortalidade, amṛtam, que por sua vez não representa a imortalidade do corpo, mas a realização da natureza eterna do ser, ātman. Este néctar goteja da lua situada no cetro da lótus.
- A mente livre das flutuações, vṛttis.
No centro dessa lua encontra-se um triângulo luminoso, normalmente voltado para baixo. esse triângulo simboliza:
- Śakti na sua forma mais subtil, já não como energia criadora, mas como o poder absoluto da Consciência.
- Yoṇī cósmico, a matriz de onde toda a manifestação emerge e para onde tudo regressa.
Dentro do triângulo, alguns textos descrevem ainda um bindu (um ponto infinitamente luminoso), que representa:
- A unidade absoluta.
- O encontro definitivo entre Śiva e Śakti. Princípios masculino e feminino.
- A consciência não dual advaita, onde desaparece qualquer distinção entre observador e observado.
É interessante notar que, enquanto no Ājña Chakra , o chakra frontal do Intercílio, a dualidade começa a ser transcendida, no Sahasrāra ela já desapareceu completamente.
Este é o sétimo dos principais chakras alinhados com a coluna vertebral, considerado o mais importante de todos os chakras. "Entra em atividade unicamente após o despertar da energia ígnea. É nele que se experimenta a união final de Śiva e Śakti, onde chega a kuṇḍalinī, após ter atravessado os outros seis centros." (Professor Pedro Kupfer).
Nas representações orientais das diversas divindades, bem como na igreja católica, representam-se os homens santos, com um halo ou uma auréola, um anel de luz que surge no topo da cabeça. Este seria o símbolo do Sahasrāra Chakra.
Este chakra "entra em atividade após o despertar da energia ígnea, a kuṇḍalinī, após ter atravessado os outros seis centros. Está relacionado a Puruṣa, o Ser Ilimitado, ao plexo cerebral e à glândula pineal (epífise), produtora da melatonina, substância que regula o sono e os ritmos biológicos." (Professor Pedro Kupfer).
Localização- Na fontanela, no alto da cabeça.
Função principal- símbolo do desenvolvimento da consciência. Chakra muito subtil ligado à espiritualidade.
Cor- Branca mais luminosa que a lua
Glândula associada- Pineal, produtora de melatonina, esta glândula é sensível à luz, funciona durante a noite, maioritariamente entre a meia noite e as três da manhã. Atua regulando os ciclos de atividade e sono e regulando o sistema imunitário. A produção de melatonina aumenta num ambiente escuro e calmo, causando o sono e tranquilidade. Por esta razão não é recomendado ver televisão ou ficar sujeito à luz das telas de computadores e telemóveis durante a noite e cerca de duas horas antes de dormir.
Bīja mantra: Oṁ mental continuo ou silêncio.
Órgão dos sentidos- Nenhum associado
Elemento- Nenhum associado
Vṛttis desejáveis: Intuição, queima dos saṁskāras (as impressões profundas que cada experiencia ou pensamento, emoção e ação deixa na mente), transcendência, amor universal, impulso de evolução, energia mental equilibrada.
Vṛttis indesejáveis : Falta de visão, falta de discriminação e falta de compreensão das realidades da vida, energia mental em desiquilíbrio.
Para desenvolver Vṛttis desejáveis- Meditar, orar, praticar yoga, ficar em silêncio.
Curiosidades- na Índia acredita-se que o espírito ao reencarnar penetra pelo centro coronário, iniciando sua descida até o chakra básico e ali se enraizando. Esse centro ancora a centelha Divina que habita o ser humano.
Posturas de yoga (āsana) e outras técnicas de yoga associadas- Invertida sobre a cabeça; Vṛkṣāsana; mentalização do mantra Oṁ, meditação no mantra Oṁ ou no silêncio interior; Kriya yoga e Ṣaṭkarma as seis técnicas de purificação orgânica ( kapālabhāti, trātaka, nauli, neti, dhauti e vasti);
https://www.youtube.com/watch?v=1jaKCEKpWKU
- Bījamantra - É um som “semente”, também chamado matrikā, som " mãe", associado aos diferentes aspectos da manifestação de Īśvara, Deus criador, e aos sete principais chakra*s. São sons dos quais nascem todos os outros mantras e não tem tradução. Através da sua vibração produzem efeitos poderosos no corpo físico e energético.
- vṛttis, São as instabilidades da mente, da atividade psíquica, que se formam de acordo com as tendências subconscientes dos indivíduos, vāsanās e dão origem aos pensamentos e desejos. É a força que origina os pensamentos e desejos.
- saṁskāras- conjunto das tendências subconscientes, de caráter inato e hereditário, causa dos condicionamentos.
- Para saber mais/recordar a informação sobre os chakras carregue no seguinte link:
https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2024/06/chakras.html
Pode ser interessante conhecer um pouco mais sobre os chakra*s mas, lembre-se de que são apenas símbolos, representações simbólicas do sagrado no nosso corpo, do macro e do microcosmo e uma forma para se praticar meditação.Sabia que terapias dos chakras e alinhamento dos chakras são criações modernas?Sabia que o sistema de cores (cores do arco-íris ligadas aos sete chakras principais) é também uma criação muito moderna?Os chakras surgiram mencionados no Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa (षट्चक्रनिरूपण) é um dos textos tântricos clássicos mais citados, sobre os chakras, escritos por Pūrṇānanda Yati (séc. XVI) e descreve de forma simbólica e muito diferente da atual, os centros energéticos do corpo.No Ocidente, esse manuscrito tornou-se muito famoso por ter sido traduzido e comentado por um juiz britânico e estudioso do Tantra, Sir John Woodroffe (também conhecido pelo pseudônimo Arthur Avalon). Este escreveu em 1918, no livro The Serpent Power (O Poder da Serpente). É desta tradução que derivam a maior parte das noções modernas sobre os chakras e a energia e foi a influencia para ocultistas, psicólogos e esotéricos.Mais tarde, Charles Webster Leadbeater, ocultista Britânico e antigo padre Anglicano, afirmava-se como clarividente e dizia ver as cores dos chakras. Escreveu um livro "The Chakras" 1927. Aqui os chakras eram mencionados como Vórtices energéticos e órgãos no corpo etérico e tinham cores fixas.Mais tarde, Annie Besant, feminista e líder teosófica, ativista politica, ajudou a popularizar essa teoria através da Teosofia.Muito recentemente, Shirley Maclaine, uma atriz famosa de Hollywood, adepta do mundo esotérico difundiu ainda mais estas ideias e difundiu-a para o publico em massa, ao escrever o seu livro "Out on a Limb"- 1983 .Leia o artigo do Professor Pedro Kupfer " Existe alinhamento dos chakras no yoga?":Leia o artigo do Professor Pedro Kupfer "Patañjali, o Tântrico: os Chakras no Yogasūtra", onde é mencionado a “linguagem crepuscular” (metafórica) que refere os Chakras no Yogasūtra.Se quiser percorrer com verdade o caminho do yoga, não interprete nada à letra, pesquise, duvide, estude e valorize o mais importante. Não existe nada tão importante nesta senda do yoga quanto a prática, e de todas as práticas, a meditação e a prática dos valores, yamas e niyamas, bem como o autoestudo, o caminho para o autoconhecimento.Boas práticas, com consciência! 💚Esta informação foi inspirada nos apontamentos facultados pelos meus Professores Pedro Kupfer e pesquisas pessoais
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