O Saṅkalpa não é pensamento mágico

O Saṅkalpa não é pensamento mágico

O significado de Saṅkalpa é Resolução.

Trata-se de uma resolução interior, de uma intenção, que tem o objetivo de incrementar ou fortalecer um objetivo, um propósito. ou um aspecto relacionado com o caráter. 

Normalmente o Saṅkalpa é usado durante o yoganidrā, a descontração do yoga, ou no início da prática de yoga, como tema ou foco para a própria prática, ou ainda no final desta, como o propósito de acompanhar o praticante durante todo o seu dia. Tal como já foi dito, o Saṅkalpa tem como objetivo fortalecer a estrutura mental do praticante e ativar as qualidades ou traços positivos do caráter. Não é pensamento mágico, é o resultado do fortalecimento da nosso intenção.

Normalmente é mentalizado numa frase curta, positiva e no presente, metalizada com bhāva, com amor ou intenção, com um sentimento profundo, para que essa construção mental fique associada a um desejo forte, genuíno de mudança. 

  • Por vezes, o professor sugere que o Saṅkalpa seja repetido por três vezes, para que a intenção seja mais facilmente assimilada, uma vez que, a repetição ajuda a imprimir as ideia no subconsciente.
  • A sugestão de que o Saṅkalpa seja mentalizado numa frase curta, serve para que seja mais fácil colocar o foco e concentração no objetivo. Uma frase curta significa menos dispersão da mente e energia. 
  • Também é comum ser sugerido que mentalize o seu Saṅkalpa numa frase positiva, pois assimilamos melhor os conceitos positivos: “Eu tenho foco”  será uma resolução assimilada com maior sucesso que “ "Eu não sou desconcentrado”, "Eu sou forte" é mais simples de assimilar que "Eu não sou fraco".
  • Mentalize o seu Saṅkalpa numa frase no presente, para ajudar a gravar no subconsciente a impressão de que a sua resolução já se realizou. Se remetermos a nossa resolução para o futuro, dizendo por exemplo “ Eu serei mais feliz", estamos inconscientemente a reforçar a ideia de que ainda não somos felizes. Fortalecendo a ideia de carência. Ao mentalizar algo no presente, como por exemplo “ Eu sou consciente”, eu trago essas mesmas qualidades para o momento de agora. É mais simples para o nosso subconsciente assimilar algo que está a viver agora, pois na realidade só existe o momento presente. “ O presente é a linguagem do Subconsciente”( Professor Pedro Kupfer)
  • Repetir aleatoriamente o seu Saṅkalpa, sem intenção, sem que este venha do seu coração, não irá produzir efeito. Para reprogramar a mente o seu desejo tem de nascer no coração. metalize com bhāva, com amor, com a força do seu coração, acredite profundamente naquilo que mentaliza. Repetir apenas palavras, sem sentimento associado é puro desperdício de tempo.
  • O Saṅkalpa deve igualmente manter-se o mesmo durante um longo período de tempo, por exemplo dois ou três meses ou mais, para que essa intenção seja reforçada e se materialize com maior facilidade. 
  • Quando o Saṅkalpa é realizado num estado profundo de descontração, como acontece durante o yoganidrā, a possibilidade de assimilarmos melhor a nossa intenção são potencializadas, porque a mente se encontra mais receptiva num estado maior de consciência e expansão, e encontra-se focada, observando a nossa intenção, sem se dispersar com outros pensamentos. Neste estado de enorme receptividade o subconsciente regista com maior competência as construções mentais criadas, fortalecendo a possibilidade de assimilarmos, por exemplo, a intenção de sermos mais saudáveis ou felizes.
  • O Saṅkalpa deve respeitar o Dharma universal e pessoal. Deve respeitar o bem comum, a ética, tudo aquilo que preserva a vida, a felicidade do outro. A célebre frase " Não faças ao outro aquilo que não gostarias que te fizessem a ti", neste caso "não mentalizes nada para ti que prejudique o outro.". Quanto ao dharma pessoal, o svadharma, o Saṅkalpa deve respeitar quem és, a tua missão, a tua verdade o teu dever. Só assim a tua intenção será mais efetiva e concreta.
Logo, o Saṅkalpa não tem nada de místico ou mágico (Só se considerarmos as capacidades inatas da nossa mente como mágicas. Na verdade a vida é pura magia. 😍). O Saṅkalpa é o foco da nossa intenção, a força dos nossos pensamentos que se transformarão em ações.

Gosto de sugerir, de vez em quando, nas aulas que ministro, que o aluno pense nas ações concretas que terá de colocar em prática para concretizar o seu Saṅkalpa. Estes pensamentos colocam-nos os pés na terra e desmistificam o Saṅkalpa.
Por exemplo, se o Saṅkalpa é "Eu sou autoconfiante", as ações para concretizar esta intenção podem ser, por exemplo: Concentrar-me no autocuidado, desafiar os pensamentos negativos, valorizar as pequenas conquistas, rodear-me de pessoas positivas e que me respeitem como sou, recordar tudo o que alcancei,  etc

Exemplos de Saṅkalpa:

- Eu sou Amor

- Eu sou feliz

- Eu sou saudável

- Eu confio em mim

- Eu cuido de mim com Amor

- Eu tenho força interior, etc…

Reveja aqui mais informação sobre o yoganidrā, carregue no link seguinte:

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2022/01/o-yoganidra-descontracao-do-yoga.html

Faça um exercício yoganidrā com sugestão de Saṅkalpa, gravado por mim. carregue no link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1_6TZzX-rROclzkr8VCIybuU9ZvwaS4KQ/view?usp=share_link

Esta informação foi inspirada nos ensinamentos do Professor Pedro Kupfer, João Paulo Dias, e pesquisas pessoais. 

Boas práticas, com consciência 💙




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