Satya, a não mentira ou a verdade- Proposta para o mês de abril
Satya, a não mentira ou a verdade- Proposta para o mês de abril
É curioso pois este mês inicia-se precisamente com o dia das mentiras ;)
É importante perceber que na base de todo o código de ética do yoga está ahiṁsā, a não violência. Com Satya acontece o mesmo, pois a mentira é uma forma de violência, logo praticar a verdade é um ato de não violência e respeito pelo próximo e por nós mesmos.
Satya consiste em praticar a verdade, ou seja, não se trata apenas de dizer a verdade, mas também de manter a conformidade entre aquilo que pensamos, aquilo que dizemos e o que praticamos. Se formos verdade iremos certamente espelhar a verdade.
Satya é um ato de respeito e consideração pelo outro, é também um ato de coragem quando se trata de olhar para dentro de nós mesmos.
Praticar Satya é sempre um tremendo desafio, há que encontrar um equilíbrio entre a verdade e ahiṁsā, a não violência. Se ao dizer a verdade infringirmos dor, teremos de repensar este yama. Um compromisso entre a verdade e a não violência, o caminho do meio, pode ser o mais indicado. Pelo menos deveríamos parar e fazer esse questionamento antes de agir.
Na vida, praticar Satya começa pela fidelidade a nós mesmos, sem sermos verdadeiros connosco nunca o seremos com o outro. Não divulgar a mentira também é uma forma de ser verdadeiro. Ter cuidado, por exemplo, em verificar se a fonte daquilo que partilhamos nas redes sociais é credível é uma forma de satya. Ser quem verdadeiramente somos, sem pretender copiar alguém ou mudar para agradar os outros também é viver em verdade.
No tapete de yoga, satya remete para a nossa observação interior. A proposta de auto observação que muitas vezes o professor nos sugere é um verdadeiro ato de aceitação da verdade. Tendo em consideração que estamos em constante mudança, satya requer uma observação constante dos sinais do corpo e sobretudo da respiração, pois não há nada tão verdadeiro que a nossa respiração natural. A observação da mente necessita de uma maior mestria, pois a própria mente é perita em enganar-nos, em passar rasteiras, é mestre na arte da ilusão.
Ser verdadeiro é ser humilde, aceitar as nossas limitações, respeitar o corpo, é ser quem somos. Ser verdadeiro é também não socumbir à preguiça, não nos acomodarmos. Isto representa auto observação e coragem.
O professor, deve ser um exemplo de verdade para os alunos. Esta é uma batalha poderosa, travada entre o ego e a proposta do caminho do yoga. Ser verdadeiro no tapete de yoga é ser verdadeiro na vida!
Conhece um pouco sobre os yama*s e niyama*s:
Reveja aqui a lenda do nascimento de Patañjali :
https://bhava-e-yoga.blogspot.com/2022/01/a-lenda-do-nascimento-de-patanjali.html
Patañjali criou o Aṣṭāṅgayoga, mais conhecido como Rāja Yoga, o yoga das oito etapas.
Estas etapas, deveriam ser praticadas por qualquer aspirante ou estudioso de yoga e são elas:
- Yama*s- As cinco proscrições ou abstenções;
- Niyama*s- As cinco prescrições ou disciplinas;
- Āsanas- Posturas psicoísicas;
- Prāṇāyāmas - Exercícios de expansão e controle do prāṇā ou bioenergia;
- Pratyāhāra- A abstração dos sentidos;
- Dhāraṇā- Concentração;
- Dhyāna- Meditação;
- Samādhi- Estado de supraconsciência, que leva à libertação, mokṣa.
Os yama*s, as cinco proscrições ou abstenções e os niyama*s, as prescrições ou disciplinas constituem o código de ética do yoga.
Os Yama*s são cinco:
- Ahiṁsā , a não violência;
- Satya, a não mentira ou a verdade;
- Asteya, não roubar;
- Brahmacharya, não desvirtualização da sexualidade;
- Aparigrāha, o não apego.
Os Niyama*s São cinco também:
- Saucan, a purificação;
- Santoṣa, o contentamento;
- Tapas, a auto superação ou o esforço sobre si mesmo;
- Svādhyāya, o auto estudo, através do estudo das escrituras;
- Īśvaraprānidhāna, a consagração a Īśvara, princípio divino e ilimitado.
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