Kuṇḍalinī, nāḍīs, cakras, granthis, samādhi

Kuṇḍalinī, nāḍīs, cakras, granthis, Samādhi

Na passada semana, ao explicar a uma querida aluna, um prāṇāyāma, surgiram-lhe duvidas. Para esclarecer essas duvidas acabei por ter falar noutros conceitos, como: Sushumna nāḍī e granthis. 

Por exemplo, para definir prāṇāyāma, podemos dizer que são exercícios respiratórios que visam o controle ou a expansão do prāna, mas, logo de seguida há que explicar o que é o prāna. Quando se aprofunda o conhecimento sobre o prāna, inevitavelmente serão referidas as nāḍīs, logo, há que explicar o que são nāḍīs, e por aí adiante caminhamos num novelo de informação, que inicialmente pode dar verdadeiros nós no cérebro. Devagar se vai estudando e tomando conhecimento de toda esta teoria, afinal o yoga é uma prática para a vida. Brincando, para várias vidas! 😉😁

Aqui fica a prova de como um assunto leva ao outro e uma explicação pode exigir uma conversa mais longa do que inicialmente se poderia julgar.

Prāṇāyāmas, de uma forma simplificada e como já foi dito anteriormente são exercícios respiratórios que visam o controle e a expansão do prāna.

Prāna significa força ou energia vital, bioenergia. Significa literalmente " força que se move para a frente" mas também é sinónimo de respiração e alento.

Mas o prāna não é apenas o ar que respiramos, mas também a energia contida nesse ar, nos alimentos, na água, no sol, etc. É ao fim ao cabo toda a energia que se pode manifestar fisicamente, mentalmente ou energeticamente. O universo é, ao fim ao cabo, uma manifestação do prāna. O prāna flui no nosso corpo, através de nāḍīs.

As Nāḍīs são os canais por onde flui o prāna, ou a energia vital. No nosso corpo as nāḍīs não são visíveis, elas representam linhas ou condutos energéticos. Muitas vezes estão relacionadas com nervos, plexos ou glândulas, mas nem sempre. O número de nāḍīs existentes no corpo humano, difere na literatura hindu, mas fala-se em cerca de 72000 nāḍīs, este numero também varia de individuo para individuo e ao longo da vida. Mas, de todos esses canais energéticos há três mais importantes, são eles: 

  •  īḍā, é o canal lunar, feminino, de polaridade negativa que inicia no Mūlādhāra cakra, o primeiro de todos os cakras que se situa junto à base da coluna, no plexo do sacro e ascende até à narina esquerda. Este canal controla o hemisfério direito do cérebro, relacionado com o sistema parassimpático e com características como a criatividade e intuição, a introspeção e meditação.

  •  piṅgalā é o canal solar, masculino, de polaridade positiva  que inicia também no Mūlādhāra cakra e ascende até à narina direita. Este canal controla o hemisfério esquerdo do cérebro relacionado com o sistema simpático e com características como o pensamento lógico e racional, com a vitalidade.
  • suṣumṇā é o canal central  e principal por onde flui o prāṇa, que corresponde à coluna vertebral e está relacionado com o sistema nervoso central, este canal está associado também com a ideia do despertar da consciência universal, representada simbolicamente pela kuṇḍalinī, a serpente de fogo, energia ígnea. 

īḍā e piṅgalā representam a dualidade, Śiva e śakti, o masculino e o feminino, o aspeto lógico ou racional e o intuitivo; o quente e o frio; o dia e a noite. Estas duas nāḍīs serpenteiam-se ao longo e em torno da coluna vertebral e os locais onde se cruzam, representam os locais  onde se situamos cakras ( chakras) principais: Mūlādhāra, Svādhisthāna, Maṇipura, Anāhata, Viśuddha, ājña e Sahasrāra.

Suṣumṇā não está associado a polaridades, não tem dualidade. A energia ascende através de Suṣumṇā  quando as nāḍīs īḍā e piṅgalā estão equilibradas.

Cakras ( chakras) - Cakra significa "roda", "vórtice", "círculo" ou "disco". Também é chamado de padma, que significa "lótus". Os principais cakras são normalmente representados pela imagem de uma flor de lótus vista de cima, porém com diferente número de pétalas. 

Os cakras são um conceito pertencente à tradição Hindu, e ao Yoga e Ayurveda, mas que, no entanto, tiveram a sua origem na tradição tântrica. 

Segundo o Mestre DeRose, “ Os chakras são centros de captação, armazenamento e distribuição de prāṇa, a energia vital”  

Segundo o professor Pedro Kupfer “ Cakras são centros de força no corpo subtil''.

Tal como com as nāḍīs, os cakras não são estruturas anatómicas que se conseguem ver através da dissecação de um corpo. São antes a simbologia das manifestações de energia. 

Ao nível físico, os cakras correspondem, na maioria dos casos, aos locais onde se encontram gânglios nervosos, onde existe um alto grau de atividade nervosa, e onde se encontram também as glândulas do sistema endócrino.
São representados como vórtices de energia, como remoinhos, localizados nos pontos de interseção das várias nāḍīs.

Os cakras básicos, ou principais são sete e através da rede de nāḍīs que dele partem, originam-se os cakras secundários. As imagens dos cakras como flores de lótus, com diferente número de pétalas, representam precisamente o número de nāḍīs primárias que partem de cada cakra, distribuindo a energia por todo o corpo. 

O yoga e o ayurveda estimulam e equilibram todos esses centros de energia, no entanto, de forma geral dá-se mais atenção aos sete principais cakras, posicionados ao longo da coluna vertebral são eles:

  1. O Mūlādhāra cakra, chakra da raiz ou básico, situado no plexo sacro;
  2. O Svādhiṣṭhāna cakra, situado quatro dedos abaixo do umbigo;
  3. O Maṇipura cakra, localizado na zona do umbigo;
  4. O Anāhata cakra, situado no plexo cardíaco;
  5. O Viśuddha cakra, que se situa no plexo laríngeo, na região da garganta;
  6. O Ājña cakra, situado no intercílio, no ponto entre as sobrancelhas;
  7. E o Sahasrāra cakra, o chakra coronário, também chamado de lótus das mil pétalas.
Todos estes cakras são representados no eixo central da coluna vertebral onde se cruzam as três principais nāḍīs (īḍā, piṅgalā e suṣumṇā). 

Cada cakra, tem associado simbolicamente, uma cor do arco íris, um elemento da natureza, uma forma geométrica, uma divindade, uma glândula, um animal, uma pedra, um bījamantra (som “semente”, também chamado matrikā), um órgãos dos sentidos, uma nota musical, um dia da semana, etc. 
Junto ao primeiro dos cakras, o Mūlādhāra cakra, permanece adormecida a kuṇḍalinī.

O termo kuṇḍalinī significa " enrolado como uma serpente" e pode ser interpretado de várias formas, uma delas relaciona o termo com um fenómeno bioelétrico, com uma energia que se representa simbolicamente como uma serpente adormecida e enrolada na base da coluna vertebral, junto ao sacro e ao primeiro de todos os cakras.

Segundo o Mestre DeRose " Kuṇḍalinī é uma energia física, de natureza neurológica e manifestação sexual"

Segundo o professor Pedro Kupfer "Kuṇḍalinī tem assim, duas dimensões. Por um lado é o poder, a causa da existência do indivíduo. Por outro, é igualmente o sustento do próprio Universo. Macrocosmicamente, ela é Śaktī, Prakṛti, a manifestação do poder de Śiva. Na escala humana é um símbolo do Ser, a causa do movimento e da vida do indivíduo. O reconhecimento desse fato conduz a mokṣa ( libertação)."

A kuṇḍalinī é então o símbolo da consciência é também o símbolo da própria criação. O despertar da kuṇḍalinī representa o potencial do ser, o alcançar do estado meditativo, a iluminação, a hiper consciência - Samādhi. O caminho que a kuṇḍalinī percorre ao longo da coluna vertebral pode representar o próprio caminho do autoconhecimento.

Mas, ao longo da coluna vertebral vão surgir três granthis, ou nós.

Esses três granthis, ou nós, são o brahmāgranthi, situado no  mūlādhāra cakra; o viṣṇugranthi situado no anāhata cakra e o rudragranthi, situado no ājña cakra. Eles representam os obstáculos psíquicos, emocionais e energéticos que a energia tem de ultrapassar para que ocorra a iluminação.

Se observarmos com atenção o primeiro dos nós, situado no mūlādhāra cakra é o brahmāgranthi e Brahma é o deus da criação, logo pode representar a dificuldade de nos libertarmos do apego à matéria e à própria vida, também à identificação com o ego. O segundo dos nós situado no anāhata cakra, plexo cardíaco pode estar relacionado com os apegos sentimentais e com os desejos e por último, o rudragranthi, situado no ājña cakra, simboliza o obstáculo do orgulho, da vaidade relacionada à conquista dos siddhis, as perfeições ou poderes que são conquistados ao longo do percurso do autoconhecimento.

Quando se representam os cakras, podemos observar no mūlādhāra, no anāhata e no ājña cakra um triângulo invertido que simboliza a yoni, órgão sexual feminino, no seu interior encontra-se um liṅgaṁ, órgão sexual masculino, este aponta para a presença de um granthi.

Boas práticas, com consciência! 💙


Esta informação foi inspirada nos ensinamentos dos Professor João Paulo Dias, Ricardo Gil, Mestre DeRose e em informação online do professor Pedro Kupfer e pesquisas pessoais. 💙







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