Meditação de sábado, dia 24 de Fevereiro - Saṅkalpa, a resolução interior

 Meditação de sábado, dia 24 de Fevereiro - Saṅkalpa, a resolução interior

Saṅkalpa significa resolução.

Podemos criar o nosso Saṅkalpa, a nossa resolução interior, e repeti-la diariamente, por exemplo ao acordar, antes de dormir, ou logo após meditar, para a reforçar interiormente.

No yoga, o saṅkalpa, é normalmente utilizado no início da prática, quando se pretende criar uma intenção pessoal para a prática, como por exemplo, manter a respiração consciente, realizar tapas (a auto superação), ou Svādhyāya (o auto- estudo), etc.

Também se utiliza o saṅkalpa durante o yoganidrā, a descontração profunda do yoga, para que seja criada, por cada praticante, uma resolução interior que reforce uma intenção pessoal ou ative qualidades positivas do praticante.

Esta resolução deverá ser sempre uma frase curta, positiva e no presente, repetida mentalmente de forma clara e consciente. Deverá também estar de acordo com o dharma*. 

*Dharma é um conceito muito vasto, mas pode-se definir como a lei inerente à natureza e que mantém o homem em união com a sua verdadeira essência. Desta forma o dharma é um código que também respeita o bem universal. O que significa que, ao realizar o seu Saṅkalpa, temos de ter em conta o outro. Será que a minha intenção respeita o outro, quer seja outro ser humano, um ser vivo, a própria natureza?

 o Saṅkalpa deve ser mentalizado numa frase curta positiva e no presente

  • Porque o Saṅkalpa  deverá ser mentalizado numa frase curta?

Para que a mente não se perca em divagações. Quanto mais a mente divaga, menos foco e força terá para direcionar para o foco pretendido.

  • Porquê uma frase positiva?

Porque as afirmações são mais fáceis de assimilar que as negações.

É mais fácil assimilar uma resolução na positiva, como por exemplo “ Eu sou feliz”  do que outra na negativa, como “ Eu não sou infeliz”.

  • E porque deverá ser uma frase no presente? 

Porque ao mentalizar algo no presente, como por exemplo “ Eu sou consciente”, eu trago essas mesmas qualidades para o momento de agora. É mais simples para o nosso subconsciente assimilar algo que está a viver agora, pois na realidade só existe o momento presente.

Se eu criar uma resolução para o futuro, como por exemplo : “ serei consciente” , na realidade estou a dar foco a algo que assumo ainda não estar em mim, uma carência. Dizendo sempre "serei..." na realidade, nunca chego a ser.

Segundo o Professor Pedro Kupfer “ O presente é a linguagem do Subconsciente”.

O Saṅkalpa deve igualmente manter-se o mesmo durante um longo período de tempo, por exemplo dois ou três meses, para que essa intenção seja reforçada e se materialize com maior facilidade. 

Também segundo o Professor Pedro Kupfer, ”o Saṅkalpa realiza-se mentalmente mas começa no coração”, devendo, por esta razão, ser algo carregado de significado, de sentido.

Muitos professores dão a sugestão de se mentalizar algo com riqueza de pormenores, imagens mentais que ajudem a tornar o propósito mais claro. Outra sugestão pode ser a de que o praticante procure sentir a alegria de ver realizado o seu Saṅkalpa naquele preciso momento. Ao mentalizar algo com confiança e ao ser vivenciada a alegria de ter conquistado a nossa resolução interior, a mente assume que o Saṅkalpa já nos pertence.

Mas como funciona o Saṅkalpa?

O Saṅkalpa dá foco, dá força, às nossas intenções. 

Quando o Saṅkalpa é realizado num estado profundo de descontração, como acontece durante o yoganidrā, a possibilidade de assimilarmos melhor a nossa intenção são potencializadas, porque a mente se encontra mais receptiva num estado maior de consciência e expansão, e encontra-se focada, observando a nossa intenção, sem se dispersar com outros pensamentos. 

Neste estado de enorme receptividade o subconsciente regista com maior competência as construções mentais criadas, fortalecendo a possibilidade de assimilarmos, por exemplo, a intenção de sermos mais saudáveis ou felizes.

Um exercício interessante para se fazer, é meditar sobre os aspetos práticos que devo mudar em mim, nas minhas atitudes e no meu dia a dia para atingir o meu Saṅkalpa.

Ex: Se o meu Saṅkalpa for: “eu sou feliz”. Devo meditar naquilo que me faz sentir que não sou feliz, como mudar os meus hábitos mentais, que atitudes práticas devo tomar para ser mais feliz, etc.

Exemplos de Saṅkalpa:

- Eu sou Amor

- Eu sou feliz

- Eu sou saudável

- Eu sou consciente

- Eu confio em mim

- Eu tenho força interior, etc…

Exemplos do que não deve ser o Saṅkalpa:

- Tudo o que diz respeito a uma outra pessoa, algo externo a nós sobre o qual não temos controle.

- Frases na negativa

- Frases muito compridas e com muita informação

- Frases com o foco no futuro. 


Mentalize o seu Saṅkalpa e depois entregue. entregue ao universo, à vida. Se é crente entregue a Deus.

Entregue as suas ideias, os desejos, as expectativas, os conceitos...entregue.

Entregue tudo e observe o que fica após essa entrega.

Sinta esta entrega no seu coração. Pouse a sua atenção apenas na entrega, agora!


Boas práticas, com consciência 💙

Esta informação foi inspirada nos ensinamentos do Professor Pedro Kupfer, João Paulo Dias e pesquisas pessoais.


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