Yoga x religião

 Yoga x religião

Este texto é extenso. Leve o seu tempo para o ler. Leia de mente aberta e mantenha sempre a curiosidade e o seu espírito critico aguçado. 

Em primeiro lugar há que definir religião e yoga.

A religião é um sistema de crenças, de práticas, rituais e valores que conecta o homem a elementos sagrados, divinos ou espirituais. Baseia-se na fé, ou na adoração de uma ou várias divindades (consoante a religião), e rege-se por códigos morais, oferecendo respostas para o sentido da existência.

Há uma discussão etimológica sobre se a palavra "religio" deriva de "religare" ou de "religere". Ambas têm a mesma raiz: "legere", “escolher”, “eleger”, “juntar”, etc. 

"Religare" foi o termo aceite na época de Santo Agostinho, com a reflexão teológica de que significa “ligar”, ligar de novo a pessoa a Deus.

Etimologistas modernos pensam que, provavelmente, "religio" deriva da palavra "religere", o que significaria “consideração ou reflexão cuidadosa”.

O yoga é uma forma de ver e estar na vida que tem como fim o autoconhecimento, mas não é dogmático, não se rege, como na maioria das religiões, por princípios ou doutrinas considerados fundamentais e incontestáveis. O yoga não impõe uma fé e não pretende que o praticante adira a qualquer crença. Embora tenha raízes no hinduísmo, budismo e Jainismo, o yoga é uma prática independente que pode, ou não, coexistir com as várias religiões existentes no mundo e pode igualmente seguir sem nenhuma associação a qualquer religião. 

São várias as definições de yoga, mas nenhuma delas consegue ir ao âmago do que o yoga representa na sua totalidade.

Em sânscrito a grafia é a seguinte: योग. A palavra Yoga vem do sânscrito “Yuj”, que significa unir ou integrar.

Esta união refere-se à união corpo/ mente numa busca pelo equilíbrio, ou, indo um pouco mais além, é a união entre o ser e a sua própria essência, a união com o divino.

Yoga e religião são práticas espirituais, pois promovem a conexão com o divino, seja esse divino nomeado de Deus, ou de "Eu maior", Īśvara, a inteligência universal.

Há aspectos entre a religião e o yoga que parecem tocar-se, mas há diferenças também. 

Normalmente a religião é praticada pelos adeptos dessa mesma religião. O yoga é uma prática de autoconhecimento e, como prática de autoconhecimento pode ser praticada por todos - Cristãos, adeptos do Islamismo, Judaísmo, hinduísmo e pode igualmente ser praticada por ateus ou agnósticos.

Leia o artigo completo:

"O yoga não é religião e é uma prática para todos", carregue no link seguinte:

https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2026/02/o-yoga-nao-e-religiao-yoga-e-uma.html

Então porque algumas religiões não aconselham a prática de yoga?

É com alguma tristeza que, como católica e professora de yoga, por vezes me cheguem noticias de padres que não recomendam o yoga por considerarem ser uma prática incompatível com os princípios católicos ou cristãos.

Julgo que esta recomendação, por parte de alguns padres se deve sobretudo a algum desconhecimento, preconceito, medo do desconhecido, mas também, sejamos justos e sinceros, à grande misturada de temas, assuntos místicos que alguns professores de yoga da atualidade levam para as suas práticas e que acaba por denegrir a imagem do yoga. e confundir quem não a conhece 

Como praticante de yoga, já assisti a práticas, onde foram inseridos rituais do xamanismo, e onde foram lançadas cartas tarot, pasmem-se. Nada contra as crenças e interesses de cada um, mas yoga é yoga e faz sentido proteger este conhecimento/tradição milenar.

Hoje em dia, há milhares de cursos de instrutor de yoga, no ocidente e mesmo na Índia, cursos rápidos, sem qualidade, onde qualquer um, em meia dúzia de meses, tem um certificado que lhe permite dar aulas. Alguns destes professores continuam a investir na sua formação, mas infelizmente a maioria não volta a estudar e espanta-me a ligeireza com que assumem a enorme responsabilidade de estar perante uma turma.

Para além da falta de qualidade e superficialidade nos conhecimentos, alguns instrutores, especialmente os que não aprofundam o estudo, os imaturos, os que olham para o yoga apensas como fonte de rendimento, misturam outros temas à prática de yoga e assim surgem práticas como o yoggaton ( mistura de yoga com reggaton - dança com ritmo latino-americano); yoga com vinho ou com cerveja ( que ridiculariza a prática e a torna num entretenimento social e vai contra os princípios de clareza mental e de moderação que o yoga propõe); rage yoga (que combina o yoga com gritos, palavrões e libertação agressiva de emoções, e que incentiva a descarga emocional descontrolada em detrimento da consciência); cross yoga (mistura de crossfit e yoga), etc. Surgem também associadas à prática de yoga, promessas de "alinhamento de chacras", ativação de Kuṇḍalinī" ou iluminação rápida. Enfim...

Todas estas deturpações e disparates acabam por atribuir uma má conotação ao yoga e confundir as pessoas, deixando a ideia que o mundo do yoga é um mundo de místicos, lunáticos, adoradores de deuses azuis, com muitos braços, que se cumprimentam com um namaste. E o yoga, que tem um dos objetivos mais bonitos que pode existir, o autoconhecimento, passa a gerar desconfiança.

Pesquisando um pouco sobre o assunto, consegui reunir outras razões que podem estar na origem destas reservas perante a prática de yoga por parte de algumas religiões, como a católica.

Vou expô-las de seguida e irei também adicionar os meus próprios argumentos, com humildade e sabendo que estou aquém de ser uma conhecedora sobre religião e que tenho tanto ainda para aprender sobre yoga.

Com estes argumentos, não pretendo convencer ninguém. O yoga deve basear-se sempre em princípios de respeito e liberdade e a prática de yoga é para quem realmente a quer e para quem usa o seu discernimento, viveka.

Pretendo apenas expor ideias e até organizar as minhas próprias ideias e quem sabe ajudar a desfazer alguns mal entendidos.

Procurarei ter os yamas e Niyamas, código de ética do yoga, presentes em cada palavra.

  1. O facto do yoga ter uma origem não cristã e baseados no hinduísmo ou no budismo - Algumas religiões podem aconselhar cautela, uma vez que na base do yoga estão ensinamentos do hinduísmo e do budismo. É verdade que o yoga tem raízes antigas, milenares, que se baseiam em tradições como o hinduísmo e o budismo, mas hoje em dia e principalmente no ocidente é praticado sobretudo como uma disciplina para o autoconhecimento, que promove saúde e careza mental, foco e bem estar. O yoga não pretende substituir ou tomar o lugar de nenhuma religião e pode mesmo ser um complemento valioso para qualquer religião, reforçando os valores morais, a ética e propósitos de vida elevados. O yoga é uma prática de autoconhecimento que incentiva a liberdade individual e nada impõe. Já agora, uma curiosidade sobre o hinduísmo (não estou a referir-me ao yoga), sabia que o hinduísmo é considerado para muitos uma religião, mas para muitos outros é apenas uma forma de vida, uma tradição cultural, sem um fundador único, sem um livro sagrado único, sem uma autoridade central (como uma papa) e que abarca muitas filosofias e tradições distintas (algumas delas não devocionais)? 
  2. Alguns conceitos, como o conceito de "energia" "Prāna", "Chakras", não existem na religião católica, por exemplo, e alguns padres temem que esses conceitos entrem em conflito com a visão cristã de alma, graça Divina ou Espirito santo. Todas as disciplinas tem a sua própria linguagem. As artes marciais têm a sua, a medicina tem a sua, a música, a arte também e o yoga não é exceção. É necessário dar nomes aos conceitos e ideias. Na linguagem do yoga surgem muitas vezes termos como Prāna, chakras, nadis, etc. O receio da igreja quanto a alguns destes termos baseia-se, muitas vezes, no preconceito e desconhecimento, numa leitura literal destes termos ou na má interpretação dos mesmos. Prāna, por exemplo é a energia vital (é um termo usado tanto no yoga como no ayurveda, medicina tradicional Indiana). Este termo significa literalmente - "Força que nos move para a frente". Prāna é o nome dado à força ou energia que regula o processo da inspiração, da expiração, da assimilação de alimentos no nosso corpo, da recepção de impressões sensoriais, do processo digestivo, circulatório e da força que regula distribuição de nutrientes e energia no corpo, etc. Prāna é a energia não só contida no ar que respiramos, mas na luz do sol, que nos aquece e que permite a vida na terra, etc. O termo Prāna não vem tomar o lugar de nenhum outro termo ou conceito usado na igreja católica. É apenas um nome usado para nomear o que já referi anteriormente. Dando outro exemplo, os Chakras. Os chakras são interpretados para alguns como sendo campos de força no corpo subtil. Outros julgam ser representações metafóricas para o funcionamento de glândulas e plexos nervosos. Na realidade os chakras surgiram como suporte para as práticas de meditação "os Chakras não devem ser considerados realidades físicas ou sutis, mas superimposições deliberadas sobre o corpo mate. rial. O objetivo dessas superimposições, chamadas upādhi em sânscrito, é servir como suporte para a meditação" (professor Pedro Kupfer). Muita informação é deturpada ou mal interpretada. Os chakras surgiram para treinar a mente para ser focada. Existe ainda a linguagem metafórica, por exemplo, a " iluminação" por vezes citada no yoga é uma metáfora para o autoconhecimento, pois tudo o que a luz ilumina, o homem pode conhecer. A própria religião católica está carregada de simbolismo e metáforas, que não devem ser interpretadas à letra, "a luz" representa a verdade ou o caminho; "a semente" representa a palavra de Deus e "a serpente" representa a tentação.  Se um católico pratica yoga, pode e deve entender a linguagem do yoga como representação da sua própria liberdade e fé.
  3. O Receio da mistura ou fusão de práticas espirituais diferentes e o receio de uma fé enfraquecida. A igreja Católica pode temer a mistura de práticas distintas e a substituição da relação e fé em Deus por práticas com ideologias diferentes. O yoga tem como objetivo o desenvolvimento da consciência e autoconhecimento e com este desenvolvimento chega também uma sensação de equilíbrio, harmonia e bem aventurança, liberdade, paz interior. Estas experiências são universais, não contrariam a fé, nem o vinculo com nenhuma religião e podem mesmo ser uma ferramenta para aprofundar esta fé e este vinculo. 
  4. O receio da diferença entre a prática da meditação e a prática da oração. Estas duas práticas podem coexistir perfeitamente. Eu, pessoalmente, utilizo sempre a oração antes de iniciar o meu dia e antes das minhas práticas de yoga, logo depois pratico meditação. Primeiro sinto gratidão, agradeço a Deus todas as bençãos da minha vida, sinto a presença de Deus, do divino, no meu coração, depois, foco a mente num ponto, geralmente a sensação de paz que a própria oração me proporciona. A oração é um diálogo com Deus e a meditação um diálogo com o divino. Não estaremos todos a falar do mesmo, usando palavras/métodos diferentes? Para alguns a meditação corresponde à dissolução do Eu, e a igreja pode temer a dissolução da consciência pessoal. Mas a dissolução do eu, no ponto de vista do yoga, é a dissolução do ego, ou seja, da identificação com a matéria, com os desejos mundanos, os medos, as aversões, com os pensamentos. O ego só existe quando a nossa atenção está focada nos conteúdos mentais. Quando dirigimos a atenção para quem percebe, o ego dissolve-se. E quem percebe? Para o yoga, é ātman, o ser, a consciência universal. Para a religião seria Deus. Poderá existir consciência sem Deus, sem o Divino? Que é Deus senão pura consciência? Outro conceito também pode preocupar a igreja, o reconhecimento de que somos seres divinos, no ponto de vista das escrituras que estão na base do yoga, o homem já ´e aquilo que busca. Esta ideia é mal vista pela igreja pois é como se  como se o homem se colocasse ao nível de Deus. Mas o que realmente quererá dizer que somos filhos de Deus? Que somos feitos à sua semelhança? E se Deus é Divino, como poderia criar algo não divino? São apenas questões, não provocações. O yoga não fomenta o Ego, por essa razão nada pretende provar, essas são preocupações do homem, da mente. De qualquer forma, um católico pode meditar na ideia do seu Deus, nada o impede disso. E ao refletir sobre a ideia do homem ser um ser divino, o católico pode apenas estar a aceitar Deus em si, na sua vida. A prática de yoga adapta-se a cada um, nunca o contrário.
  5. O facto do hinduísmo adorar vários Deuses, azuis, negros, com vários rostos e vários braços e alguns com um ar assustador.😁 Primeiramente, e como já foi dito anteriormente, há Correntes no hinduísmo que não são devocionais e não adoram qualquer deus. Há tradições que acreditam existir uma realidade suprema, Brahman, e que esta realidade é infinita, suprema, sem forma e fica além da compreensão humana, e neste caso os outros deuses, sivã, Krishna ou Gaṇesha, etc são como manifestações ou aspectos desse deus absoluto. Tal como no grande oceano se manifestam ondas (personalidades), mas que na verdade, todas essas ondas fazem parte do mesmo mar. Outras tradições, veem os deuses como entidades distintas. O yoga, nasceu no contexto do hinduísmo e tem como objetivo o autoconhecimento. O yoga pode ser praticado por qualquer pessoa que se interesse em aprofundar o conhecimento de si, logo, pode ser praticado por adoradores de um só Deus, de vários Deuses, por católicos, Budistas, agnósticos e pagãos. Cabe a cada um de nós, escolher uma prática onde se sinta livre e muito respeitado para vivenciar as suas próprias crenças, sem nada impor aos demais colegas. Nas minhas aulas de yoga, por exemplo, e na maioria das práticas ocidentais que conheço, o foco é apenas o autoconhecimento e todos são bem- vindos. Nenhuma crença religiosa é chamada para a prática, porque a prática não é e não tem pretensões de ser religiosa. Nem a minha religião católica e nem o meu Deus é referido nas minhas práticas de yoga e quando surge uma história sobre mitologia hindu, que aliás adoro, surge como metáfora para explicar uma ideia, um conceito. Por exemplo, Gaṇesha é símbolo de remoção de obstáculos. Se for referido o nome de Gaṇesha, nas minhas aulas, por exemplo numa postura, não estou de todo a propor que "adoremos" um deus com cabeça de elefante, nem a invocá-lo ou a pedir-lhe que remova os obstáculos da nossa vida, mas antes a escutar uma metáfora que nos pode recordar, por exemplo, da nossa própria força interna para remover os obstáculos mentais ou nos faz refletir sobre que obstáculos que devemos remover da nossa vida, como um vicio, uma ideia de fraca autoestima, etc. Na tradição hindu existem deuses com aspeto assustador, com três cabeças, com múltiplos braços, com a língua de fora. Alguns montam feras e possuem armas poderosas. Todos eles fazem parte de uma tradição cultural, da riquíssima mitologia hindu. Representam conceitos. O desconhecimento e o preconceito leva a igreja recear alguns deuses, como se receasse espíritos ou forças ocultas poderosas. Estas são visões deturpadas. Sivã, por exemplo, o deus destruidor é afinal apenas a representação simbólica da destruição da ignorância, das trevas, que simbolizam a falta de consciência. Outro dia, uma aluna enviou-me um vídeo o Instagram de alguém que referia a posição de relaxamento śavāsana, como a posição de adoração ao deus da morte, ao espírito da morte😕. Esta afirmação demonstra um total desconhecimento da verdade. A postura, ao contrário do que é dito no vídeo, não tem o nome do deus hindu que simboliza a morte. Este Deus chama-se yama. O nome da postura śavāsana, significa literalmente - postura do cadáver, e representa a entrega de tudo aquilo que julgamos ser. Esta postura não serve apenas para descansar, relaxar no final da prática de Āsana e é muito mais do que uma simples oportunidade para parar, é uma oportunidade para não intervir mais, para praticar o desapego absoluto, o desapego e a identificação com os papeis que desempenhamos na sociedade. No momento de śavāsana deixamos de nos identificar com o ego, renunciamos ao controlo por apenas uns momentos. Renunciar ao controlo não significa perder algo, mas antes deixar de estar preso a um papel por uns minutos, ganhando equilíbrio e autonomia interna. Renunciar ao ego, não é apagar quem és mas antes deixar de confundir-te com quem não és. Os resultados que advém desta prática costumam falar por si mesmos.
  6. A possível dimensão espiritual implícita nos mantras, símbolos e posturas, etc Em primeiro  lugar, volto a reforçar que praticar yoga não tem como objetivo doutrinar, mudar a fé de alguém ou substituir o papel da religião. Man significa mente e tra instrumento. Mantra significa instrumento para a mente e serve para disciplinar a atividade mental consciente. Ajuda também a ganhar maior capacidade e controle respiratório e a serenar os pensamentos e emoções, auxiliando o praticante a atingir mais profundidade nas práticas de meditação. Āsanas, são posturas psicofísicas, pois trabalham mais do que os aspectos físicos, ajudam a regular o sistema nervoso e a focar a mente. São também considerados uma ferramenta para o autoconhecimento, pois através deles nos observamos e aprendemos a nos conhecer. É verdade que algumas posturas tem o nome de Deuses do hinduísmo, isto porque fazem parte da tradição hindu como é obvio. Mas parece-me uma ideia muito limitada pensar que ao praticar uma postura com o nome de um Deus, estamos a adorar esse deus ou a evocar o seu espírito. O nome do Deus representa, em última instancia, as características desse Deus. Por exemplo a postura Natarajāsana, postura de Śiva bailarino. Śiva é representado, nessa postura, dançando uma dança cósmica, que representa a transformação, os ciclos da natureza, do universo, nascimento e morte, representa a renovação, o equilíbrio. Fisicamente, esta postura pode ser entendida como uma metáfora para a harmonia entre a concentração, o equilíbrio e a flexibilidade, a harmonia entre a força e a leveza, a ligação perfeita entre o corpo e a mente. Em termos mais profundos a metáfora representa a nossa própria dança com o universo, aceitando a mudança constante. Esta metáfora não impede o praticante de se relacionar com o seu Deus, com as suas crenças. Como católica, eu posso considerar Śiva a própria vontade do meu Deus, nesta dança universal, a celebre frase " Aceitar a vontade de Deus". Se sou ateu posso ver a postura meramente do ponto de vista fisiológico ou quanto mais filosófico. Os símbolos representam os mesmos conceitos. Por exemplo o símbolo do Oṁ, por exemplo, é um símbolo que aponta para a presença invariável do Ilimitado, representa o som de criação do universo e de todos os outros sons e mantras, O símbolo Oṁ muitas vezes aparece grafado como Auṁ, isto porque este som é formado pelas vogais a e u, e a sua nasalização, aqui representada pela letra m. Mas a grafia correta é Oṁ. Essas três letras correspondem, segundo a Maitrāyaṇīyopaniṣad, aos três estados de consciência: "vigília, sonho e sono profundo". Uma vez mais, como católica que sou posso considerar esta história um símbolo, uma metáfora para criação do universo e ver este "ilimitado" ou "divino" como o meu Deus. Se sou ateu, vejo como uma história bonita para representar o big bang. 


Resumindo:
O Yoga não é uma religião, nem pretende ser. É uma prática separada de crenças religiosas e tem como objetivo o autoconhecimento. 
O Yoga é universal nas experiencias que proporciona, como saúde do corpo e mente, regulação do stress, paz interior, o foco e a clareza mental, a auto observação. 
O yoga pode ser praticado por adeptos de todas as religiões, por agnósticos e ateus.
O yoga não pretende doutrinar e não se considera melhor ou acima de nenhuma religião ou fé.
Yoga não contradiz nenhuma fé e pode mesmo ser uma ferramenta para aprofundar essa mesma fé.
Os símbolos e nomenclatura do yoga expressam acima de tudo ideias, metáforas. Essas metáforas podem coexistir com qualquer fé. A prática adapta-se à pessoa e nuca o contrário.

Use o seu discernimento Viveka. Questionar é saudável e todas as duvidas são bem vindas.
Mantenha a mente aberta e o espirito critico aguçado.  

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