Vertigem Posicional Paroxística Benigna e o yoga

Vertigem Posicional Paroxística Benigna e o yoga

Na passada semana, uma querida aluna veio praticar yoga com algum receio pois havia tido uma crise grande de vertigem, esta aluna sofre de VPPB, Vertigem Posicional Paroxística Benigna, conhecida vulgarmente por vertigem dos cristais ou labirintite dos cristais.

Os cristais de carbonato de cálcio chamem-se otólitos ou otocônias ou estatocônias e são responsáveis por detectar acelerações no movimento da cabeça, como quando corremos, subimos ou descemos num elevador, andamos para trás, etc 

Localizam-se dentro do ouvido, no labirinto. Quando estes cristais se soltam, ficando livres no interior do labirinto, provocam vertigens. Os cristais podem soltar-se de forma espontânea, devido ao envelhecimento, após uma queda, um acidente, movimentos bruscos com a cabeça, ou após um quadro inflamatório como após uma infeção respiratória..

O que é a VPPB?

VPPB é a sigla para Vertigem Posicional Paroxística Benigna.

Quem sofre da vertigem dos cristais, sente tonturas, como se o cenário ao seu redor, simplesmente começasse a rodar temporariamente ou se movesse de forma pendular. É uma sensação de movimento, sem necessariamente ter havido movimento e pode mesmo levar à queda, enjoos e vômitos.

Estas crises, normalmente são desencadeadas por mudanças de pressão no ouvido interno, por quadros de infeção, pelo próprio processo de envelhecimento, quedas ou acidentes, ou surgem sem explicação, associadas às mudanças de posição, por exemplo após levantar ou baixar o corpo, após rodar a cabeça, olhar para cima ou bruscamente para os lados, etc. 

As crises surgem de força brusca, repentina e geralmente permanecem por alguns dias ou mesmo semanas.

Estas tonturas podem vir acompanhadas pelo movimento involuntário dos olhos, nistagmo e pela sensação zumbidos constantes, podem ser muito incapacitantes e levar mesmo à perca de audição.

A primeira medida a ser tomada é consultar um médico que possa fazer as manobras para corrigir a situação. Aconselha-se o seguimento no otorrinolaringologista. Normalmente a manobra realizada por especialistas é eficaz e rápida e o paciente melhora automaticamente. Estas vertigens podem passar espontaneamente, mas não se deve deixar de consultar um especialista.

Após estes quadros e para evitar recaídas no futuro, devem ser  evitados movimentos rápidos e bruscos com a cabeça, desportos violentos e de alto impacto, evite ficar muito tempo com a cabeça na mesma posição e evite também montanhas russas ou experiências semelhantes. Tenha cuidado no momento em que se levantar da cama.

Se o quadro persistir avalie também a saúde da sua cervical e consulte um médico para que este prescreva exames complementares. 

Como o yoga pode ajudar?

O Yoga pode funcionar como terapêutica de prevenção, pois os āsanas, as posturas psicofísicas, desenvolvem a atenção plena, a consciência corporal e respiratória e estimulam beneficamente o sistema nervoso central. O aluno vai-se acostumando/ adaptando gradualmente aos diferentes āsanas, ao posicionamento da cabeça, da cervical e do corpo no geral, ficando mais apto para lidar com as situações de crise. A respiração consciente também pode ajudar muito nesta condição, bem como o relaxamento final da aula de yoga e os dṛṣṭis, as técnicas de fixação ocular,

O mais eficaz da prática de yoga:

  • As posturas em que há movimentação consciente da cervical;
  • As rotações lentas e suaves da cabeça;
  • As posturas com dṛṣṭis, as técnicas de fixação ocular;
  • As posturas de olhos fechados ( fora das crises) que trabalham de forma eficiente o sentido da propriocepção e o equilíbrio;
  • As posturas de flexão lateral do tronco podem ajudar a compensar as alterações de pressão e da posição dos cristais, no ouvido interno;
  • As posturas de equilíbrio;
  • Os exercícios respiratórios, prāṇāyāmas, que atuam a nível do sistema nervoso central, ajudando a relaxar e a lidar com situações desafiantes;
  • O Yoganidrā, a técnica de descontração profunda do yoga.
  • A prática de meditação.

Segundo o Professor Pedro Kupfer " O Haṭha Yoga pode oferecer muitos benefícios para quem sofre desta condição, já que a forma mais eficiente de tratá-la é seguir um protocolo de habituação, onde se procura aumentar a habilidade do sistema nervoso central em compensar a disfunção do labirinto.

Técnicas de relaxamento em śāvāsana e em dhyānāsanas, trikoṇāsanas, sarvaṅgāsana, bhastrikā prāṇāyāma, anulomaviloma prāṇāyāma e rotação cervical são as mais indicadas. Consulte o seu professor. Ele está capacitado a ajudá-lo.".

Se surgir uma crise durante a prática de yoga, o que fazer:

  • Pare a prática. Peça ajuda ao seu professor.
  • Não faça movimentos bruscos. Mova-se lentamente ou fique mesmo imóvel;
  • Evite olhar para cima ou deitar-se.
  • Permaneça sentado/a e se possível num local arejado; 
  • Respire fundo, mantenha os olhos abertos e fixos num só ponto, aguarde lentamente que a crise passe. Normalmente a vertigem é temporária;
  • Mesmo que se sinta melhor não saia sozinho e não conduza.
  • Hidrate-se. A água contribui para aumentar o volume dos líquidos circulantes na corrente sanguínea, o que possibilita que a estabilização da pressão arterial e minimiza a sensação de tontura.
  • Respire conscientemente e mantenha a calma;
Exercícios respiratórios que podem ajudar:

Pratiloma e Anuloma Prāṇāyāma:

Leia o artigo do Professor Pedro Kupfer "Hatha Yoga e Vertigem" :


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