Sahāśrara chakra, o lótus de mil pétalas

Sahāśrara chakra, o lótus de mil pétalas

Em sânscrito- सहस्रार

O Sahāśrara chakra é o chakra coronário, situa-se no topo da cabeça, sobre o Brahma-randhra - o buraco de Brahma, ponto em que Śiva e Śakti se unem.

É conhecido como chakra da coroa ou lótus de mil pétalas.

O Śiva Samhita, um texto poético em sânscrito sobre o yoga e que contém os ensinamentos sobre Śiva , afirma mesmo que este chakra se situa para além do corpo. 

É o sétimo, dos chakra*s primários, e pode ser considerado o mais importante de todos, uma vez que representa a iluminação, o despertar da energia ígnea, a kuṇḍalinī.

Quando esta energia, a kuṇḍalinī, (cuja representação é a de uma serpente, que simboliza o poder, a força e a consciência absoluta), ascende por suṣumna nāḍī, (o canal principal por onde circula o prāṇa, a energia vital, e que fica situado no centro da coluna vertebral), e sobe  até ao Sahāśrara chakra, o yogi atinge moksha, a libertação. Este entra no estado de Samādhi, estado de iluminação no qual não existe diferença entre o observador, o ato de observar e o objeto observado.

"Enquanto a energia da kuṇḍalinī se manifesta até ao ājña chakra, chakra situado no intercílio, o yogi pode experienciar estados de transe, estados meditativos, manifestações diversas de energia mas permanece consciente, fazendo uso pleno do seu cérebro e mente. Quando esta energia atinge o sahāśrara chakra o prāṇa move-se para cima e atinge o seu ponto máximo, a mente estabiliza-se sozinha no espaço vazio (shunya mandala) que fisicamente fica no espaço entre os dois hemisférios do cérebro, espaço não mais controlado pelo lado direito ou esquerdo do cérebro." ( professor Ricardo gil)

Nesta fase, não há mais identificação com os sentimentos, emoções, desejos e atividades da mente. Só existe verdade. Este é o estado de Nirvana.

É representado como uma flor de lótus de mil pétalas com todas as cores do arco íris dispostas em vinte camadas de cinquenta pétalas. O seu centro é dourado e dentro dele encontra-se uma lua luminosa, no seu interior existe um triângulo que pode estar representado virado para cima ou para baixo.

  • Localização: No topo da cabeça, no plexo cerebral 
  • Cor: violeta
  • Função: Iluminação, Consciência.
  • Glândula associada: Está associado à glândula pineal que produz melatonina, hormona que regula o sono e o ciclo circadiano, os ritmos biológicos. A produção de melatonina ocorre principalmente à noite , quando já não existem estímulos luminosos e o metabolismo está mais lento. A máxima secreção da melatonina dá-se entre a meia noite e as três da manhã, e segundo o professor Pedro Kupfer esta é a hora ideal para trabalhos criativos.
  • Bīja mantra: nenhum. silêncio.
  • Pedra associada: Quartzo transparente e branco; Selenita e Ulexita.
  • Chakra equilibrado: Intuição, amor universal, transcendência, impulso para evolução, energia, rejuvenescimento, autoconhecimento, etc.
  • Chakra desequilibrado: Falta de discernimento, falta de compreensão da realidade da vida e de conexão com o mundo, doenças da glândula pineal e do cérebro, que se manifestam como doenças físicas e psicológicas, falta de foco, envelhecimento, etc
  • Para equilibrar este chakra: Yoga, meditação, contacto com a natureza e atividades criativas, meditação sobre o bījamantra Oṁ, ou sobre os bījamantra*s no geral ( laṁ, vaṁ, raṁ, yaṁ, haṁ, oṁ), meditação no silêncio.
  • Deidade associada: O próprio mestre interno.

Curiosidades:

  • Nas representações hindus das suas divindades e nas representações da tradição cristã de homens santos, este chakra é ilustrado como uma aura sobre a cabeça, como uma coroa que representa a consciência superior ou cósmica.
  • Do sahāśrara chakra corre, num fluxo constante, amṛtam - o néctar da imortalidade.  
  • Segundo a tradição hindu, a amṛtam ou soma é um fluido que se produz na glândula pineal e que desce até a garganta, quando o yogi entra em estado de profunda meditação. Quando se executa o jíhva bandha, a contração da lingua contra o palato mole, no ponto chamado de sanga ou trivêni, que se encontra na confluencia entre as três principais nāḍīs, a pineal é massajada e surgem diversas sensações gustativas. Pode surgir um gosto alcalino, um gosto amargo, lacteo, ou um gosto indeterminado chamado de elixir lunar. Segundo o professor Pedro Kupfer. O jíhva bandha impede que o amṛtam, que se concentra no soma chakra, entre o Ājña e o sahāśrara chakra escoe para os chakra*s inferiores. 
  • A soma chakra, corresponde ao terceiro olho, mesmo acima do ājña chakra. Este chakra produz diariamente uma gota do néctar da imortalidade, amṛtam, que é consumido no maṇipura chakra, o chakra do elemento fogo ( que se localiza no abdómen, junto ao umbigo), dando origem, a seu devido tempo, ao envelhecimento e à morte.
Reveja aqui informação sobre o Jihva Bandha ou Khecarī mudrā:

Reveja mais informação sobre os chakra*s, carregue no link seguinte :

https://bhava-e-yoga.blogspot.com/2022/03/os-chakras.html

É interessante conhecer um pouco mais sobre os chakra*s mas, se quiser percorrer com verdade o caminho do yoga, não se fique por aí. Não vale a pena perder muito tempo e energia tentando entender e racionalizar conhecimentos se não existir algo mais valioso a suportar o seu caminho. Não existe nada tão importante nesta senda do yoga quanto a prática, e de todas as práticas, a mais importante é a meditação. 

Boas práticas, com consciência! :)

Esta informação foi inspirada nos apontamentos facultados pelos meus Professores Ricardo Gil e João Paulo Dias e em informação online do professor Pedro Kupfer e pesquisas pessoais. <3 




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