Recorde a informação sobre os Chakras
Recorde a informação sobre os Chakras
No próximo sábado, dia 19 de Outubro, iremos ter na escola, o nosso Encontro de yogis com o Professor Ricardo Gil, com o tema: Chakras, da antiguidade aos tempos modernos.
Achei que seria interessante recordar a informação sobre os chakras. Aqui vos deixo. Boas leituras!
Chakra significa "roda", "círculo", "disco", ou "vórtice". Também é chamado de padma, que significa "lótus".
Os principais chakra*s, os sete representados ao longo da coluna vertebral, são normalmente apresentados sob a forma de uma flor de lótus vista de cima, porém com diferente número de pétalas.
O conceito de chakra é muitas vezes utilizado na tradição Hindu, no Yoga e no Ayurveda, mas teve a sua origem na tradição tântrica.
Existem várias definições para Chakra. Deixo uma definição dada pelo meu querido professor Pedro Kupfer “ Chakras são centros de força localizados no corpo subtil ''.
A definição de chakra é vasta, bem como a interpretação de tudo o que diz respeito a este tema, tão subjetivo, e por esta razão difícil de explicar.
"Cakras (verdadeira grafia), são os centros nos quais focalizamos a atenção no corpo sutil durante a meditação"..."Os cakras não devem ser considerados realidades físicas ou sutis, mas superimposições deliberadas sobre o corpo material."...
"O objetivo dessas superimposições, chamadas upādhi em sânscrito, é servir como suporte para a meditação sobre a identidade entre o indivíduo e o Todo. Noutras palavras, projeta-se mentalmente sobre determinados plexos ou regiões corporais um símbolo que represente um dos múltiplos aspectos que vinculam o ser humano com a natureza." (Professor Pedro Kupfer)
Existe muita confusão e misticismo em torno do tema dos chakra*s. Fala-se em alinhamento de chakra*s, chakra terapia com demasiada leviandade. Segundo o professor Pedro Kupfer estas terapias não fazem parte do yoga antigo, são criações modernas:
“ …o assunto não é mencionado no Trika Yoga da Caxemira, nem no Kaula, nem no Miśra nem no Samāya, que são as quatro maiores escolas de Yoga tântrico da Índia.
Não há nenhuma menção ao tema em śāstras como o Kularṇava Tantra, o Gandharva Tantra ou o Viśvasāra Tantra. Tampouco achei nada em textos mais recentes, com o Ṣaṭcakra Nirūpana. Se o amigo leitor souber de alguma fonte fiável ou tiver alguma recomendação sobre o tema, gostaria muito de ouvi-lo.”.
Ou seja, confirma-se algo que já intuímos: a chakraterapia é uma contribuição do movimento Nova Era que, muito embora baseada no antigo sistema dos chakras do Yoga, elabora numa direção bastante diferente do propósito com o qual as práticas sempre foram feitas no seu contexto original.”
Leia o texto completo do Professor Pedro Kupfer- https://www.yoga.pro.br/existe-alinhamento-de-cakras-no-yoga/)
Tal como com as nāḍī*s, os chakra*s não são estruturas anatómicas que se conseguem ver através da dissecação de um corpo. São antes a simbologia das manifestações de energia.
Ao nível físico, os principais chakra* situados no eixo da coluna vertebral, correspondem, na maioria dos casos, à ação de glândulas ou plexos nervosos, onde existe um alto grau de atividade nervosa, e onde se encontram também as glândulas do sistema endócrino. Mas não deve ser interpretado desta forma simplista.
Os chakras, são representados como vórtices de energia, como remoinhos, localizados nos pontos de interseção das várias nāḍī*s (canais por onde flui o prāṇa, ou bioenergia).
As imagens dos chakra*s como flores de lótus com diferente número de pétalas, representam bīja mantra, sons sementes. Ou seja, em cada pétala esta inscrito um fonema do alfabeto sânscrito, estes fonemas são considerados sagrados e o sânscrito é considerado uma língua sagrada por esta razão. "A soma das pétalas dos seis primeiros cakras corresponde às 50 letras do alfabeto sânscrito, chamadas mātrikās, ou mãezinhas. Essas mãezinhas são as matrizes sutis de todos os sons." (Prof. Pedro Kupfer)
Alguns sistemas também representam as pétalas dos chakras como canais ou nāḍī*s. As nāḍī*s primárias partem de cada chakra, distribuindo a energia por todo o corpo.
Os chakra*s básicos, ou principais são sete. Através da rede de nāḍī*s que dele partem, originam-se os chakra*s secundários.
Consoante as escolas e tradições a representação do número de chakras principais pode variar.
No budismo tibetano, por exemplo, geralmente são considerados 4 chakras principais, mas dependendo da tradição meditativa eles podem variar entre 3 e 6. Há tradições que consideram 8 chakras principais, outras sete, dez ou doze e esses chakras podem não coincidir com os de outras tradições. Logo por aqui podemos perceber que este é um assunto subjetivo e metafórico.
O yoga utiliza estes pontos como forma de meditação.
Os sete chakras principais para o yogi são:
O Mūlādhāra chakra, chakra da raiz ou básico, situado no plexo sacro;
O Svādhiṣṭhāna chakra, situado quatro dedos abaixo do umbigo;
O Maṇipura chakra, localizado na zona do umbigo;
O Anāhata chakra, situado no plexo cardíaco;
O Viśuddha chakra, que se situa no plexo laríngeo, na região da garganta;
O Ājña chakra, situado no intercílio, no ponto entre as sobrancelhas;
E o Sahasrāra chakra, o chakra coronário, também chamado de lótus das mil pétalas.
Todos estes chakra*s são representados percorrendo o eixo central da coluna vertebral, onde também se encontram outros chakra*s secundários e onde se cruzam as três principais nāḍī*s (īdā, a nāḍī lunar; piṅgalā, a nāḍī solar e suṣumṇā, principal canal energético que se representa em linha reta, da base da coluna até o topo da cabeça).
Estes pontos, onde se representam simbolicamente os chakras, podem ser estimulados externamente através de massagem, calor, pressão dos pontos marma, vocalização de mantras, mentalizações, etc. Internamente também podem ser estimulados através do despertar da energia ígnea, a Kuṇḍalinī.
"O Yoga vê o homem como um reflexo do macrocosmos. A energia criadora que engendra o Universo manifesta-se no homem, que não está separado nem é diferente dela. O nome dessa energia é kuṇḍalinī." (Prof. Pedro Kupfer)
Cada chakra, tem associado a si simbolicamente, uma cor ( cor do elemento que representam), um elemento da natureza ( terra, água, fogo, ar e éter), uma forma geométrica, uma divindade, uma glândula, um animal, um bījamantra ( som “semente”, também chamado matrikā), um órgãos dos sentidos, uma nota musical, um dia da semana, etc.
Segundo alguns autores, todos estes chakra*s possuem vṛttis desejáveis e indesejáveis. Vṛttis São as instabilidades da mente, da atividade psíquica, que se formam de acordo com as tendências subconscientes dos indivíduos, vāsanās e dão origem aos pensamentos e desejos. É a força que origina os pensamentos e desejos.
Nota:
Os termos chakra*s e nāḍī*s não têm plural, neste texto estão escritos com * para facilitar a sua compreensão.
Para tornar mais fácil a compreensão dos textos, normalmente encontra-se a palavra chakra escrita com CH, no entanto, a forma correta é cakra.
Curiosidades:
- Os pontos de Shiatsu, Do-in e acupuntura são chakra*s secundários, que têm relação direta com órgãos ou com alguma área do corpo em particular. No yoga, o praticante trabalha os chakra*s principais e como consequência disso os secundários também são estimulados.
- O mito das cores do arco íris e da relação com os chakras: " Creio que foi a Shirley Maclaine que começou a divulgar uma distorção que veio para ficar no mundo do Yoga: a ideia de que as cores dos centros de força estejam associados às cores do arco-íris. As cores corretas dos chakras, segundo o Satchakra Nirūpana, um śāstras seminal sobre o tema, estão associadas com os elementos terra, água, fogo, ar e espaço, e não com as cores do arco-íris. Segundo esses śāstras, as cores dos centros de força são as seguintes: ocre para o chakra básico, branco para o sexual, vermelho para o chakra do plexo solar, cinza para o cardíaco, prata para o da garganta, branco ouro para o chakra do intercílio e luz branca para o coronário." Professor Pedro Kupfer
Leia também: Pergunta de um aluno - Existe alinhamento dos chakras? Carregue no link seguinte:
https://yoga-sadhana-pt.blogspot.com/2022/11/pergunta-de-um-aluno.html
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