Meditação - indicações para a prática

 Meditação - indicações para a prática

Segundo o Yogasūtra  ( Aforismos do Yoga) de Patañjali:

"Yogash chitta vritti nirodhah", ou seja “ Yoga é o controle das funções mentais".

No yoga, todas as técnicas têm como objetivo esta paragem das ondas mentais e toda a prática deve ser realizada em estado meditativo.

Dhyāna, a meditação, é uma consequência do treino da abstração dos sentidos e da concentração da consciência, e é um requisito para se atingir a meta do Yoga, que é mokṣa, a libertação.

Mas, para que a meditação se torne mais efetiva com o tempo é necessário ter alguns cuidados e seguir algumas indicações:

  • Escolha um lugar arejado, tranquilo, limpo e arrumado onde de preferência, não possa ser interrompido.
  • Se possível medite sempre no mesmo local. Escolha um cantinho e torne-o especial para si, coloque velas, incenso, imagens inspiradoras, tudo o que o possa tornar único.
    Com o tempo, ao associar a prática de meditação ao espaço que escolheu, será cada vez mais fácil obter a  concentração e quietude necessárias.
  • Pratique sempre à mesma hora. Isso irá ajudá-lo a obter a disciplina necessária, a criar hábitos e rotinas sólidas e também a manter o foco.
  • A melhor hora para a prática da meditação é a partir das 4h da manhã, a chamada Brahmāmuhurta, a hora de Brahmā. Neste horário a mente está mais apta para entrar em estados de concentração e meditação. O silêncio da madrugada e o sono dos demais habitantes de casa, também irão auxiliar a entrada neste estado. No entanto, nem todos se sentem preparados para meditar neste horário. Se for o seu caso, medite pelo menos pela manhã e antes de dormir, ou sempre que sentir necessidade, sempre que observar a mente dispersa ou sentir um chamamento interior.
  • Inicialmente comece devagar, apenas alguns minutos por dia são necessários para obter um hábito. Um minuto apenas (por dia) é melhor do que não meditar. Com o tempo vá aumentando o tempo gradualmente, até 10 minutos, 20 minutos, meia hora e por aí adiante. Este processo, em princípio, acontecerá naturalmente. 
  • Escolha uma posição confortável para si, uma vez que a intenção é permanecer nessa postura por algum tempo. Se optar por se sentar de pernas cruzadas pode usar um bloco ou uma almofada para ajudar a elevar o quadril aproximando os joelhos do chão e ajudando a manter as costas direitas.
  • Existem várias posturas de meditação, sendo algumas das mais utilizadas: o padmāsana, o siddhāsana, o samānāsana, o sukhāsana ou o vajrāsana. Em todas estas posturas mantenha a coluna direita porém sem tensão, o pescoço alinhado com a coluna e o queixo muito discretamente recolhido.
  • Se os joelhos estiverem muito elevados e afastados do chão, para seu conforto e estabilidade, poderá colocar uma almofada ou uma manta dobrada por debaixo de cada joelho.
  • Se a sua condição física não permitir que se sente no chão, ou se as posturas sugeridas anteriormente lhe causam muito desconforto, sente-se numa cadeira ou à beira da cama, mas mantenha as costas eretas.
  • Mantenha uma expressão descontraída no seu rosto. Pode igualmente experimentar desenhar um discreto sorriso, sem criar qualquer tensão nos músculos faciais. 
  • Mantenha a consciência do seu corpo físico, sempre que necessitar faça um pequeno ajuste e volte à imobilidade da postura, tenha igualmente consciência da sua da respiração.
  • Experimente várias técnicas de meditação: Por exemplo a concentração num som ( mantra dhyāna), como o bīja mantra om, a concentração na sua própria respiração, num símbolo, como uma mandala ou a chama de uma vela (yantra dhyāna), a meditação num gesto e nas suas impressões tácteis, por exemplo na palma das mãos colocadas em Shiva mudrā, a meditação nos sons internos etc. Depois escolha o método com que melhor se identifica ou que sente que produz um maior aquietamento da mente e mantenha esse método. Essa persistência, no mesmo método, irá auxiliá-lo a atingir resultados mais profundos.
  • Feche os seus olhos ou mantenha-os ligeiramente abertos, respire, não lute com os seus pensamentos. Os pensamentos irão surgir naturalmente, observe-os, tomando consciência da forma como surgem e como desaparecem, mas não se identifique com eles, ou seja, não os alimente, não lhes dê força, não os analise e não se culpe porque não conseguir evitá-los. Como não se identificar com os pensamentos? Observando-os apenas e  deixando-os partir, voltando a focar a atenção na técnica de concentração que escolheu, por exemplo, na sua respiração. 
  • Os seus hábitos diários também irão interferir na qualidade da meditação: Se o seu dia foi mais ou menos agitado, o resultado será diferente. Se praticou o seu sādhana, a prática diária de yoga, ou não praticou, se colocou uma intensão nessa prática, tudo influencia a qualidade da meditação; Os pensamentos que escolhe alimentar; O tempo que passa a ver televisão ou em frente ao PC; A dieta adotada, como por exemplo o consumo de café ou excitantes, uma alimentação processada e não natural, etc; A prática dos yamas e niyamas, código de ética do yoga ( https://bhava-e-yoga.blogspot.com/2021/10/yamas-e-niyamas-o-codigo-de-etica-do.html) ; Etc.
  • No final do seu exercício de meditação, quanto mais estável e quieta estiver a sua mente, quanto maior o estado de conforto, descontração, bem estar e consciência, mais resultado obteve com a sua prática.
  • Não é possível transmitir o que é a meditação de forma clara. As indicações dadas pelo seu professor, são apenas como apontadores para o ajudar a conseguir uma maior abstração dos sentidos e concentração. A partir de determinado ponto, cada um segue sozinho nesta experiência. 
  • Da mesma forma como não se pode explicar o que é o Amor, apenas sentir o Amor. Do mesmo modo que não se pode descrever a cor azul a alguém que não pode ver. A meditação, apesar de ser um estado inato em cada um de nós, tem de ser praticada, praticada e praticada para ser vivenciada.
Boas práticas, com consciência! 💙

Esta informação é inspirada nos ensinamentos dos professores Pedro Kupfer, João Paulo dias, Ricardo Gil e pesquisas pessoais.

A explicação desta técnica apenas serve para complementar a informação dada na sala de aula e auxiliar a memorização. Não deverá realizar qualquer técnica de yoga sem a orientação prévia de um professor.









 

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