Pergunta de um aluno
Pergunta de um aluno
Um dia destes, uma querida aluna perguntou-me sobre a forma correta de se fazer o Jñána mudrā.
Porque se realiza, por vezes com as palmas das mãos voltadas para cima, e outras, com as palmas voltadas para baixo?
O Jñána mudrā é o gesto do conhecimento. Realiza-se unindo o dedo indicador e polegar de cada mão, formando um círculo, e mantendo os restantes dedos estendidos de forma descontraída.
Esta mudrā é utilizada por exemplo nos exercícios de prāṇāyāma, os exercícios respiratórios de expansão e controle do prāṇā, a energia vital, e também nos exercícios de meditação.
As mudrās são gestos magnéticos que atuam através de reflexologia e também através da sua simbologia.
Todos já sentimos o aquietamento gerado ao executar por exemplo o Shiva mudrā, ou o estado devocional que surge quando unimos as mãos para orar. Isto acontece porque sempre que meditamos ou oramos, e colocamos as mãos desta forma, vamos associando o gesto ao estado ou atitude interna que se manifesta em nós.
Quem nunca experimentou ( quando se sente triste ou deprimido) desenhar um sorriso com os lábios e gradualmente observar o estado de espírito, a disposição interna, a modificar-se para um estado mais positivo e sereno?
O Jñána mudrā vai induzir o praticante a experimentar estados de maior concentração. A meditar sobre o ājña chakra, o centro de força situado entre as sobrancelhas e desta forma a aumentar a introspecção e percepção do conhecimento intuitivo.
Os dedos indicadores e polegares representam os pólos positivo e negativo, desta forma, unindo estes dedos, fecha-se o circuito eletromagnético no corpo sutil, impedindo que o prāṇa, a energia vital, se dissipe.
As mãos pousam suavemente sobre os joelhos onde estão situados os chakras secundários.
Mas porque razão realizamos este gesto de forma diferenciada, umas vezes com as palmas das mãos voltadas para cima e outras vezes para baixo?
O Sūrya Jñána mudrā, é realizado durante o dia, enquanto há sol. Executa-se com a palma das mãos voltadas para cima, representando a disponibilidade para receber a energia proveniente do sol, fonte suprema de prāṇā.
Por sua vez, o Chandra Jñána mudrā é realizado durante a noite e é executado com as palmas das mãos voltadas para baixo, simbolizando o recolhimento desta hora do dia, o aquietamento e a identificação com a lua.
Nem todas as escolas fazem esta diferenciação, mas, para as que distinguem a posição das mãos, pretende-se conseguir desencadear no praticante estados internos de maior receptividade ou recolhimento consoante a posição das mãos.
Nada melhor do que praticar, experimentar por si mesmo para verificar que estados são desencadeados internamente.
Boas práticas com consciência! :)
Mais informação:
Mudrā significa gesto, selo ou senha. Provém da raiz “mud ”, que significa encanto, satisfação, alegrar-se e "rati" doar, dar.
É uma linguagem gestual, de atuação simbólica, reflexológica e magnética, ou seja, ao executar uma mudrā procura-se despertar no praticante diferentes estados de consciência, através da simbologia e reflexologia de cada gesto. Ao fim ao cabo é como uma expressão física externa que está associada a uma determinada atitude e intenção interna.
Estes gestos não são exclusivos da tradição hindu, são usados noutras culturas e tradições do oriente e ocidente sendo as mais conhecidas a tradição budista e a própria tradição cristã. Nestas outras tradições, alguns gestos assumem diferentes nomenclaturas e pequenas diferenças.
Na tradição Hindu normalmente estão associados às deidades, às danças indianas e às artes, mas também ao yoga.
As hasta mudārs são gestros feitos com os braços, mãos e dedos e podem ser acopuladas a outras técnicas de yoga como prāṇāyāmas, āsanas, bandhas, dhārana e dhyāna.
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