Ahimsā, a não violência

Ahimsā , a não violência, é o primeiro Yama, ou seja, a primeira das cinco proscrições que constam no código de ética do yoga.
Ahimsā é a base de todos os restantes Yamas, por outras palavras, a não violência está presente no amago dos outros Yamas. Sem Ahimsā não existe Satya, a verdade; não existe Asteya, não roubar; nem Brahmacharya, não desvirtualização da sexualidade ou mesmo Aparigrāha, o não apego.
Os Yamas e Niyamas fazem parte do código de ética do yoga de Patañjali, o Aṣṭāṅgayoga ou Rāja Yoga, o yoga das oito etapas.
Estas etapas são:
- Yama*s- As cinco proscrições ou abstenções;
- Niyama*s- As cinco prescrições ou disciplinas;
- Āsanas- Posturas psicofísicas;
- Prāṇāyāmas - Exercícios de expansão e controle do prāṇā ou bioenergia;
- Pratyāhāra- A abstração dos sentidos;
- Dhāraṇā- Concentração;
- Dhyāna- Meditação;
- Samādhi- Estado de supraconsciência, que leva à libertação, mokṣa.
Patañjali foi um sábio, um místico da antiga Índia, e foi também o codificador do yoga do período clássico. A ele foi atribuída a autoria da obra Yoga Sútra, os aforismos do yoga, uma obra redigida em linguagem condensada, sob a forma de sutras, onde todas estas etapas estão descritas, tendo como base os Yamas e os Niyamas.
Hoje falaremos do primeiro de todos os Yamas, Ahiṁsā, a não violência.
Ahiṁsā é a não violência que se deve exercer a todos os níveis, através dos nossos pensamentos, palavras e da nossa conduta ou das nossas ações.
Considera-se como não violência, não matar, não ferir, não agredir, não causar qualquer tipo de dor física, psicológica ou emocional a nenhum ser vivo ( começando com nós próprios) , bem como, não ficar passivo e indiferente ao presenciar atos de violência.
Todos os seres vivos, são considerados na visão do yoga unos, e também seres divinos, sagrados. Desta forma, ao exercer violência sobre qualquer ser vivo , estamos também a ferir-nos pessoalmente. Não há forma de fugir a esta lei natural.
Quanto mais autoconhecimento tivermos, quanto mais conscientes estivermos das manhas e armadilhas da nossa mente, mais aptos estamos para perceber os diversos contornos da violência, que exercemos diariamente contra nós e contra outros.
Sentimentos de inferioridade ou de carência, são uma forma de falta de amor próprio e consequentemente de violência contra nós mesmos. As exigências pessoais desmedidas e a busca obsessiva pela perfeição é também agressão.
As más escolhas alimentares, a decisão de colocar dentro do nosso corpo algo que não lhe é benéfico é violência.
O julgamento que exercemos contra os outros, mesmo que apenas mentalmente, é uma forma de violência. Permitir que um filho seja egoísta, excessivamente competitivo ou apático e desinteressado é agressão contra o nosso próprio filho, Sempre que escolhemos deitar o óleo alimentar pelo cano, ou simplesmente não reciclar, somos violentos e quando mais temos consciência das nossas ações violentas e optamos, ainda assim, por continuar a exerce-las, mais violentos somos.
Não aceitar o inevitável, aquilo que a vida nos coloca à frente e que não podemos mesmo transformar ou controlar é uma violência continuada exercida contra a nossa saúde e paz interior.
Por vezes, algumas ações bem intencionadas podem ser violentas. Quantas vezes observamos a luta pela paz usar a guerra? Ou a procura pela igualdade promover a diferença e a separação?
Ser " não violento" não implica ser permissivo, ou permitir que outros nos firam ou abusem da nossa boa vontade. Uma atitude não violenta também é uma atitude educadora, e de respeito próprio. Amar o outro e a mim mesmo, muitas vezes pode significar dizer NÃO e BASTA!
No entanto, perceber o limite entre um NÃO necessário e um NÃO repleto de violência nem sempre é fácil.
A não violência não é algo fácil de ser praticado. Mas a vontade de ter ahimsā presente na nossa vida e a prática de meditação e do pensamento consciente pode ajudar muito a longo prazo.
Esta caminhada poderá ser longa, mas valerá cada passo,
Recorde Ahimsā, na prática de yoga, carregue no link seguinte:
https://bhava-e-yoga.blogspot.com/2021/10/ahimsa-nao-violencia-nao-violencia-deve.html
Esta informação foi inspirada nos ensinamentos dos meus Professores João Paulo Dias, Ricardo Gil e em informação online do professor Pedro Kupfer e pesquisas pessoais. 💙
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